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Um Rapaz Ótimo Por Natália Martins

 

Ele é um rapaz ótimo. Juro, vocês não vão nem acreditar. Faz publicidade, gosta de viajar, não tem vícios. Minha mãe o adora. É muito carinhoso, só um pouco ciumento. Me deu flores no nosso aniversário de namoro. Curtimos o show de Los Hermanos grudadinhos, aquela barba me fazendo cócegas na nuca. Ninguém é perfeito, né? Ele só não saiu daquele grupo de putaria do whatsapp por causa dos brothers. Coisa de homem. Mas é um cara ótimo. Seria incapaz de levantar a mão pra mim – totalmente diferente do meu ex escroto. Esse não, ele é ótimo. Aproveitamos uma promoção da CVC e vamos passar as férias em gramado. Tirando aquele episódio em que ele disse que minha melhor amiga é uma vagabunda, não teve mais erro algum. Mas é que eles ainda não se conhecem muito bem, ela é super implicante. Até porque ele é ótimo. Curte Game of Thrones, me chama pra assistir na casa dele. Claro que a gente transa, boba. E a foda é ótima, que nem o dito cujo. Quer dizer, ele não curte fazer oral em mim, mas eu respeito. Buceta tem um cheirinho estranho mesmo, imagina o gosto? Ele é óóóótimo! De esquerda. Super a favor dos direitos das mulheres, cotas, legalização da maconha. Seu discurso firme me passa segurança. A gente conversa direto sobre isso. Quer dizer, ele conversa, né? Sou meio por fora, se abro a boca acabo falando bobagem. Ele sempre ri do que eu digo e explica aquilo que não consigo entender sozinha. Todo dia nós nos falamos por mensagem. Ele se preocupa, pergunta como eu tô, conta do dia dele. Acho surreal. Já viu algum homem fazer isso? Eu também não. Às vezes dá uma sumida, vai pro bar com os amigos sem avisar. Eu tenho ansiedade e fico morrendo de preocupação, mas paciência. Ele não entende muito meu transtorno. Diz que é frescura, que sou imediatista e quero chamar atenção. Relaxa, já mandei uns artigos do Buzzfeed pra ele ler, acho que é questão de tempo pra melhorar. Já mencionei que ele é ótimo? Avisa se minha maquiagem está exagerada e tudo. Sai com amigos gays, sem preconceito nenhum. Cabeça abertíssima. E tem um fogo! Não aceita um não na cama. Fico sem jeito pra algumas coisas, mas fetiche é fetiche. E ele é tão ótimo que eu preciso recompensar todo o cuidado que recebo. Juntos fazemos planos pro futuro. Ele quer ter 2 filhos: primeiro o menino, que é pra cuidar da caçula. E disse que vai se esforçar ao máximo pra que eu possa ficar em casa com as crianças. Tem que ser, né? Imagine como seria pra mim administrar carreira, prole e ainda me fazer presente na cama? Ainda bem que ele pensa na mulher. Se eu quero? Ah, sei lá. Acho que o caminho é esse aí mesmo. Ele é ótimo. Não dirige bêbado. Sim, já ficou com outra, só uma vez. Tava muito louco em uma festa, acabei perdoando. Essas coisas acontecem, nada demais. Já superei coisa bem pior vinda de homem. Estamos até pensando em aderir o amor livre, ele disse que é mega saudável. Vamo que vamo. O que importa é que eu estou finalmente em um relacionamento saudável. Ele seria incapaz de levantar a mão pra mim. É mesmo um rapaz ótimo.

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POLIAMOR E FEMINISMO Por Sharlenn Carvalho

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O Poliamor deve ser entendido como um modelo de relacionamento que viabiliza a libertação sexual e afetiva da mulher, uma vez que abre espaço para que esta alcance as mesmas possibilidades que os homens usufruem – em privilégio – há milênios. Nesse sentido, é importante destacar que mesmo que o Poliamor afirme a não exclusividade afetiva e sexual a partir da igualdade e da consensualidade entre as partes, muitos homens ainda insistem em consolidar a exploração e a submissão das mulheres nesse modelo de relacionamento não monogâmico que historicamente autointitula-se responsável.

Assim, na prática, o que muito se vê são homens que procuram legitimar socialmente a “traição”, a falta de compromisso e de cuidado com suas parceiras subvertendo o poliamor em “liberdade para ELE fazer o que quiser, com quem quiser e da forma que desejar.” As mulheres, por sua vez, devido à cultura patriarcal e machista em que foram educadas e nas quais suas subjetividades foram moldadas, ainda encontram dificuldade em construir uma autonomia individual que lhes permita a necessária independência psicológica e afetiva da figura masculina. Portanto, elas continuam reprimidas em seus desejos e afetos, porém agora também se sentem coagidas a aceitar (sob pena de serem julgadas imaturas, “loucas ciumentas”, caretas) que seu parceiro saia e se relacione com quantas pessoas quiser, na hora e da forma que lhe for conveniente.

O diagnóstico dessas realidades torna ainda mais imprescindível a consolidação da luta pelo feminismo vinculada à vivência do Poliamor. Não é imaginável uma relação poliamorosa não opressiva sem que os homens reconheçam seu privilégio histórico, seu machismo cotidiano e se proponham à desconstrução de tais heranças de gênero. No ponto em que estamos, talvez a melhor proposta nem deva ser a de igualdade entre homens e mulheres, mas da ascensão da mulher, da edificação de sua autonomia, pois para uma igualdade de fato, o processo de construção das subjetividades e de alcance material também deve coincidir. Desse modo, enquanto não avançarmos socialmente para uma equidade de gêneros desde a infância, não faz sentido esperar que homens e mulheres sejam afetados da mesma forma pelas questões da não exclusividade, nem que reajam do mesmo modo a estas. É visível que, em sua grande maioria, o ciúmes do homem é vinculado ao sentimento de posse que este tem sobre a mulher, enquanto o ciúmes feminino é identificado como o medo de não ser boa o suficiente, ser comparada e assim perder lugar na vida do parceiro amoroso. Tal fato é demonstrado em estatísticas que afirmam que o ciúmes do homem é, sobretudo, sexual e o da mulher, afetivo. O homem se vê ofendido em seu orgulho quando outro homem toca o corpo de “SUA” mulher (nota-se que raramente isso acontece quando se trata de outra mulher), a mulher sente angústia, medo de ser trocada por outra e se ver novamente sozinha.

A questão da insegurança também segue por caminhos diferentes quando comparamos gêneros. A insegurança masculina por vezes representa o receio de se sentir humilhado por não ser “homem suficiente” , de perder a posse que conquistou. O homem precisa provar o tempo todo para si mesmo e para a sociedade que é dominador, conquistador, viril, por isso ser trocado por outro homem – e, agora sim, também por uma mulher – é um soco no ego, é humilhante. De forma inversa, a mulher aprende desde a tenra infância, influenciada pela idealização do amor romântico presente na sociedade e pelos interesses capitalistas que sua vida só será feliz e completa ao lado de um homem, de preferência, constituindo uma família. Nesse sentido, são inúmeras as mulheres que se sentem “vazias” e sozinhas quando não estão em um relacionamento sexual/afetivo estável, mesmo com uma carreira próspera, independência financeira, amigos, hobbies, etc. Assim, a insegurança feminina advém do receio de desamparo emocional.

Obviamente existem exceções, homens que se formaram mais sensíveis e “femininos” e compartilham dos mesmos temores que as mulheres e mulheres que internalizaram no decorrer da vida mais valores tidos como “masculinos”. Contudo, estamos tratando aqui da regra, da forma geral em que os gêneros se apresentam na nossa sociedade e, portanto, cabe a defesa de que devemos buscar ações práticas distintas quando estamos falando de relacionamentos héteros. Portanto ciúmes e insegurança precisam ser encarados de formas diferentes entre homens e mulheres.

Esse é um ponto polêmico, pois conceituamos o Poliamor como um modelo de relacionamento de não exclusividade afetiva/sexual que se fundamenta na consensualidade e na IGUALDADE. Mas será que podemos mesmo falar de igualdade em relacionamentos que se dão entre oprimidos e opressores? Se toda a construção de homens e mulheres se deu por caminhos distintos, é plausível simplesmente igualarmos as ações sem levar em conta as diferenças nas subjetividades? Negros e brancos, heteros e GLBTs, pessoas de classes econômicas diferentes, homens e mulheres possuem as mesmas possibilidades econômicas, sociais, relacionais? Tiveram a mesma base, as mesmas vivências, as mesmas possibilidades? Se a resposta for não, será que não hipócrita que os grupos que sempre detiveram os privilégios possam falar, quando lhes convém, de igualdade?

Voltando ao âmbito dos relacionamentos amorosos/sexuais, será benéfico que os acordos nos relacionamentos héteros valham de forma “igualitária” para todas as partes? Se um homem possessivo impõe uma regra restritiva à sua parceira, como por exemplo só se relacionar com outras meninas ou com quem ele escolher ou na presença dele, etc., ele está usando o acordo para a busca de autonomia de ambos ou apenas se valendo do seus privilégios de sempre? Por outro lado, se o homem é quem exige não ter acordo restritivo algum, pois não quer ter limitações em seus desejos, mas a parceira ainda sofre com os valores mononormativos de ciúmes e insegurança (leia-se aqui, medo da rejeição e abandono), é razoável exigir que essa mulher se vire sozinha para dar conta de sentimentos e valores que a sociedade levou uma vida inteira lhe incutindo? Não parece que de uma forma ou de outra, é sempre a vontade dos homens que prevalece?

Como já exposto em texto anterior (https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1349330785102142&id=1021219041246653), os acordos tomados no seio das relações poliamorosas deveriam contribuir para a mútua autonomia individual, ou seja, o ideal seria a construção conjunta da autonomia de cada um, mas como será possível que a mulher conquiste sua autonomia se tais acordos não levarem em conta os privilégios dos homens (e também dos brancos, dos héteros, dos cis, dos economicamente favorecidos)?

E é através dessa problematização que percebe-se a importância da defesa de que os acordos busquem dar conta das necessidades e limites prioritariamente das MULHERES com vistas a alcançar a autonomia feminina (ser capaz de gerir ao máximo todos os aspectos de sua vida) para que, POSTERIORMENTE, se possa falar efetivamente em igualdade. Nesse sentido, é pedido aos homens, a partir do reconhecimento de seus privilégios (inclusive o privilégio de ter sido criado para ser autônomo), a desconstrução contínua do machismo e o apoio para a consolidação da autonomia feminina.

Por fim, é imprescindível afirmar novamente que, se o Poliamor não estiver a serviço da libertação sexual e afetiva da mulher, ele perde todo o sentido de ser entendido como não monogamia responsável e talvez não se diferencie muito da monogamia que historicamente sempre serviu aos interesses do patriarcado e onde a não-exclusividade afetiva e sexual masculina é aceita e a da mulher, punida (não raro com morte).

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Lacrações No Facebook #5

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Todo dia um caso de abuso contra mulheres onde o abusador é fotógrafo.
Todo dia no feed tem:
– prints de propostas irrecusáveis de ensaio de nu “artístico” que as minas recebem no inbox, no whats, no app de paquera
– notícia de fotógrafo abusando sexualmente
– notícia de fotógrafo agredindo alguma mina
– foto-onanistas divulgando seus “lindos” trabalhos com nu

Se você, mina, tem vontade de ter um ensaio nu, procure outra mina. Evite ao máximo fechar esses trampos com homens. Se você recebeu uma dessas “propostas”, printe e exponha mesmo.
E vc, dizinfiliz-fio-do-cunha, que teve a fantástica ideia de ensaios nu (aka ver as mina pelada e tentar “algo mais”) e quer sair abordando as minas, esqueça.

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Lacrações No Facebook #4

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Algumas (só algumas) verdades sexuais que você não tem coragem de se dizer, porque internalizou que precisa mantê-lo satisfeito pra que ele não se afaste, mas eu tô aqui pra te lembrar:

– O sexo não acaba quando o cara goza;
– O sexo não gira em torno do pau dele;
– Você não precisa fazer o que não gosta pra agradá-lo;
– Você não necessariamente é uma mulher livre e bem resolvida só porque topa fazer de tudo;
– Você não é obrigada a abrir a relação;
– Será que você curte mesmo violência ou está condicionada?
– Filme pornô não é referência pra sua intimidade;
– Você não precisa transar no primeiro encontro porque isso é garantia de continuidade, sinal de maturidade ou qualquer outra coisa;
– Você não é obrigada a ser amigável quando for abordada de maneira que te incomoda, seja na internet ou na rua, seja por alguém que conhece ou por um completo desconhecido;
– Você não precisa transar só porque já está ali;
– Não precisa ter penetração, caso você não queira;
– Você não precisa ficar inerte, esperando ele desistir de fazer o que está fazendo só porque não está sendo tão bom;
– Se estiver se sentindo mal com alguma coisa, pode pegar suas coisas e ir embora, sim, ou pedir pra que ele vá;
– Demonstre o que te dá prazer ou diga com todas as letras, se achar melhor. É importante também pra que perceba se ele está se recusando a te dar prazer;
– Você não precisa ter um corpo dentro dos padrões para merecer viver sua sexualidade ou afetividade;
– Você não vai ficar condenada à solidão por dizer “não” a uma oportunidade de transar ou beijar;
– Você não precisa ficar sexualmente à disposição do seu ex, esperando que isso represente um retorno;
– Você não precisa transar só pra não se sentir sozinha, nem ir à caça na noite apenas por autoafirmação. Sua autoestima pode ser trabalhada em você mesma, sem passar pela aceitação masculina;
– Tem fetiche que coloca nossa vida em risco ou gera consequências com as quais teremos que lidar pra sempre. Não usar camisinha é um deles;
– Se você aceitar ser filmada ou fotografada, por maior que pense ser a relação de confiança, não existe a menor garantia de que amanhã não seja exposta na internet. Há mulheres que já se suicidaram por terem a vida arruinada pela pornografia de vingança;
– Sexo é diálogo, é construção, muitas de nós precisam que passe pela confiança, ninguém tem que estar sempre pronto ou ser performático, devemos reaprender a respeitar nosso tempo e nosso ritmo, tratando com honestidade o que nos faz bem;
– Ele tem o dever de aceitar o seu “não”, não importa o contexto.

Tudo isso é sobre consentimento. Poucas vezes na vida nos orientaram com todas as letras a prestar atenção no que desejamos ou permitimos de fato. A violação do consentimento é o DNA da cultura do estupro.

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Lacrações No Facebook #2

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Ninguém “é” monogâmico, viu amores?

A monogamia não é inerente ao ser, não é dado biológico, ninguém nasce assim. As pessoas são ensinadas desde cedo que é assim que se vive o amor, o Estado só reconhece esse tipo de relação, então “ser” uma pessoa monogâmica é a famigerada construção social.

“Giu, isso significa que qualquer pessoa pode ser não-monogâmica?”

Depende.

Minha avó, de criação católica, mineira, casada há 84 anos? Não! Não existem condições para ela vislumbrar essa possibilidade.

Você, que nasceu com celular na mão num mundo em que mulher já pode se divorciar, num mundo em que o número de divórcios vem aumentando e a duração média de casamentos diminuindo.

Você, que recebe uma enxurrada de textão na cara todo dia, que sabe que a monogamia nasceu junto com a propriedade privada e a sociedade de classes, que manja que em sociedades comunitárias as crias eram da sociedade toda porque não havia núcleo familiar monogâmico.

Você, que acompanha diariamente “crimes passionais” acontecendo, e tem noção de que a monogamia mata mulheres a rodo.

Você não tem empecilho nenhum a não ser sua busca por autoestima, validação e segurança no mito do amor romântico.

E isso, amores, dá pra mudar sim.

Beijo, de nada

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Lacrações No Facebook #1

 

“todo homem já é não-monogâmico”

monte de galera sem noção compartilhando essa frase solta…
gente, sério, ces falam muita merda, E de forma super irresponsável, ainda por cima.

mesmo que seja só dos homens cis que vocês estejam falando:
homens cis são, via de regra,
Violentamente monogâmicos.
em tudo que envolve
a sexualidade de suas companheiras (to falando especialmente dos héteros – mas não se aplica só a eles).

Homens cis são campeões na estatística
de agredir física e verbalmente
suas companheiras
por ciúmes –
ciúmes oriundo de uma lógica de exclusividade
sexual amorosa
que impõem sobre o corpo das mulheres.

O que vocês tão – desonesta e escrotamente – chamando de “não.monogamia”
tem outro nome:
pulada de cerca,
QUEBRA de acordo.

Isso é bem diferente de não-monogamia,
que pressupõe CRIAR acordos
recíprocos e consentidos
entre quem se envolve.

Nas relações sexuais e amorosas
homens cis são campeões
de criar acordos que eles não cumprem – e isso não é arbitrário,
tem a ver com o poder que eles se acham no direito de exercer
sobre o corpo, sobre a sexualidade, e sobre a afetividade
das mulheres.
Criar acordos de exclusividade
que só serve à propriedade DELES sobre o corpo DELAS,
construindo ainda dinâmicas que fragilizam
e destróem a auto-estima:

isso NÃO É (por definição)
qualquer tipo de não-monogamia.
É exercício de poder que funciona
a serviço da própria monogamia.

PAREM DE BANALIZAR a idéia de não-monogamia,
é um desrespeito ESCROTO com quem de fato constrói relações nesses termos.
Não-monogamia pauta a possibilidade
de múltiplos relacionamentos
de forma ABERTA,
RECÍPROCA
e CONSENTIDA – qualquer coisa diferente disso
não é “não-monogamia”,
e sim ABUSO.

E olha que coisa: geralmente isso acontece dentro da monogamia.
Porque a monogamia é a norma pressuposta pela nossa sociedade.
É aquilo que nossa sociedade considera “natural”, que nem precisa ser conversado se é o acordo desejado por ambas as partes.

Então, justamente por ser naturalizada, é a dinâmica de relacionamento onde MENOS se combinam os acordos (já que estão todos pressupostos, por padrão).

relacionamentos não-monogamicos, diferentemente,
quase sempre JÁ IMPLICA a necessidade de conversar e construir acordos. – então a história é outra.

Só sério:
PAREM de confundir as coisas.
Não.monogamia não é “pulada de cerca”.
E se tem uma coisa que homens cis héteros mais têm sido
é possessivos, ciumentos, violentos
focados em manter mulheres
sob âmbitos extremamente pesados de exclusividade afetiva,
enquanto eles
quebram acordos quando querem
porque têm poder pra isso.

Dêem os nomes próprios a esse tipo de abuso,
e parem de viajar.

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Poliamor – Casais Unidade

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Eu sou poliamorista de fato tem um ano e meio. Comecei a conversar didaticamente em grupos desde do final do ano passado. Em teoria sou bem nova no rolê.
Porém, eu já tinha consciência feminista e isso ajudou muito a ser mais perceptiva no machismo que abraça o poliamor/não monogamia.
Tem um texto maravilhoso da Sharlenn Carvalho – Poliamor sobre o feminismo e o poliamor. É um texto longo, porém de extrema importância. É importante a leitura desse texto para entender a problemática que venho trazer.
(Clique aqui para ler)

A problemática que quero focar aqui é sobre casais do poliamor que se posicionam como unidade.
Isso é muito grave porque lida diretamente com objetificação e machismo.
Calma que vou explicar.

Essa problemática do casal se apresentar como unidade e buscar um terceiro membro para essa relação tem um nome: unicornização.

Oi? Que?

Então, eu já escrevi sobre unicornização.
(Clique aqui para ler)

Segue aqui uma explicação muito boa do blog PoliamorEtc:

“A opressão mais conhecida e praticada por muitos casais que se consideram poliamoristas é a busca por um “unicórnio”, que é a mulher bissexual que se sinta atraída pelo casal, mas que fica longe de qualquer porção de convívio social do casal em questão, porque o casal tem uma vida própria, eventos em família, com amigos, às vezes com filhos. O termo “unicórnio” vem justamente da ideia de caçar algo raro (a mulher bissexual que se sujeite a esses termos de relacionamento), que vai ficar de souvenir, para pura apreciação de quem a “possui”. A “unicornização” é, então, o processo de busca ou de submissão da mulher a tais condições.”

O que temos que entender é que pessoas se relacionam com pessoas.
Quando eu me interesso pelo casal, eu me interesso por DUAS pessoas que se relacionam.
Conseguem entender isso?

Mas ai vem o argumento de que o casal unidade não busca alguém só pra sexo.

Então, o casal unidade ainda não entendeu o que de fato é o poliamor. E ai voltamos para o texto da Sharleen aonde ela diz: ” As mulheres, por sua vez, devido à cultura patriarcal e machista em que foram educadas e nas quais suas subjetividades foram moldadas, ainda encontram dificuldade em construir uma autonomia individual que lhes permita a necessária independência psicológica e afetiva da figura masculina.”

Essa unidade do casal além de ser uma configuração apegada a monogamia, é machista.

Mas e nas relações homo, Ana? Tem machismo?
Quem leu meu texto sobre unicornização viu que contei sobre o casal de lésbicas que buscavam um unicórnio para a relação. Elas estavam reproduzindo o machismo.

Esse diálogo sobre casais unidade tem que acontecer porque é uns 60% das postagens (ou mais) que vejo nos grupos de poliamor.

Temos que falar sobre isso.
Mesmo!

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Representatividade Importa

Texto de Julia Maciel

Quando o seu corpo, seu cabelo, sua pele sao mostradas na midia/propaganda você se sente cada vez menos mal por estar fora do padrão, pois quanto mais representatividade houver menos o “padrão” é enaltecido.
Percebi isso quando conheci o tumblr no final da adolescência…quanto mais imagens de mulheres gordas eu via, menos eu me sentia mal com minhas pernas, meu braço,minha barriga enquanto quanto mais eu via no Instagram os corpos “perfeitos” das blogueiras e das amigas, mais a celulite incomodava, menos eu queria me olhar no espelho,mais ódio eu nutria pela minha casinha que é meu corpo.

E até hoje percebo isso, se estou vendo feed do Instagram e não tem muita foto de mulheres tipo eu, mais eu me sinto mal, mais culpada me sinto por simplesmente existir gorda.
Quando se escuta desde pequena que a sua imagem é feia ou errada e você tem que mudá-la voce incorpora isso como verdade e nao consegue ver beleza em você, só defeitos.
Mas hoje em dia eu tenho um alarme interno, e quando isso ocorre eu vou ver fotos minhas que gosto, ou vejo tumblrs de looks plus size, ou simplesmente faço o exercício de me olhar no espelho e elogiar alguma coisa.
Mas esse alarme demora para ser instalado na nossa mente e muitas vezes ele falha… sempre faça a manutenção do seu alarme

Quem está no padrão nao sabe o que é isso, não estou falando de nao ver defeitos em si mesma ou não se sentir insegura…todos nos sentimos assim pois existe toda uma indústria bilionária que se alimenta e lucra exatamente da existência dessas inseguranças, logo as reforça a todo minuto. Pessoas se gostarem NAO é lucrativo.

Entao para voce que hoje nao se sentiu representada, aqui estão imagens de mulheres lindas, gordas,negras,brancas,maravilhosas.

Cerque-se de representatividade.
Ela importa, MUITO.

Fica a dica de videos bons sobre isso:

Fotos inspiradoras:

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Rapidinha #01

Percebi que todos os homens que eu gosto são vistos pelo estereotipo feminino: sensibilidade, bons ouvintes, empáticos…
E aí entendi que o que eu odeio não são os homens, mas o conceito de masculinidade.

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Precisamos falar sobre Unicornização

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Vamos falar falar sobre unicornização?

Vamoooos!!!

Não sei se todos sabem o que é, então segue aqui uma explicação muito boa do blog PoliamorEtc:

“A opressão mais conhecida e praticada por muitos casais que se consideram poliamoristas é a busca por um “unicórnio”, que é a mulher bissexual que se sinta atraída pelo casal, mas que fica longe de qualquer porção de convívio social do casal em questão, porque o casal tem uma vida própria, eventos em família, com amigos, às vezes com filhos. O termo “unicórnio” vem justamente da ideia de caçar algo raro (a mulher bissexual que se sujeite a esses termos de relacionamento), que vai ficar de souvenir, para pura apreciação de quem a “possui”. A “unicornização” é, então, o processo de busca ou de submissão da mulher a tais condições.”

Também gostaria de relatar aqui que eu já fui unicornizada algumas vezes, e uma delas por um casal de lésbicas, que estavam em um relacionamento monogâmico longo e que queriam abrir a relação. Porém, essa terceira pessoa teria que gostar das duas.
Quando comecei a conversar com elas eu não tinha conhecimento do termo unicornização. Mas quanto mais eu conversava com elas, mais o meu desconforto aumentava.
Percebi que elas se viam como uma unidade e não como pessoas independentes. Também percebi o medo das duas de se individualizarem naquele momento de inicio de abertura da relação. Cheguei a falar sobre isso com elas no grupo de whatsapp feito para nós três conversamos. Uma delas estava mais aberta a essa escuta, me deu razão e queria falar mais sobre o assunto. Porém, a outra não concordou comigo e se sentiu ofendida. Chegou a me acusar de que eu não era pansexual porque saio mais com homens do que com mulheres (e essa problemática cabe um outro texto, mas vamos focar na unicornização primeiro. Outra hora escrevo sobre isso). Diante disso, a que concordou comigo se calou.
Depois de eu ter exposto para elas esse meu desconforto da não independência delas, elas (elas vírgula. Na verdade a fala sobre o que era e o que não era a relação delas foi da que se sentiu ofendida com a minha fala) falaram que eu estava entendendo errado, que elas queriam um trisal, aonde essa terceira mulher se tornasse parte daquele casal. Depois disso eu ainda insisti na minha fala de que pessoas se sentem atraídas por pessoas e não por casais. Não obtive sucesso e parei de falar com elas por motivos óbvios.

Também já tive a situação aonde a mulher só poderia sair comigo na presença do parceiro, mesmo que não rolasse nada entre eu e ele. E isso ainda é unicornização sim!

Gostaria de ressaltar aqui que existem sim casais que NÃO unicornizam a mulher bi/pan. Eu tenho um casal de amigos que conheci no Tinder, e a dinâmica deles era muito madura e com muita responsabilidade afetiva. Eu dei like primeiro nele, aonde no seu perfil ele dizia ter relacionamento livre. Tinha fotos dos dois no perfil dele, mas em nenhum momento existia essa unidade de casal. Caso eu me sentisse atraída por ela e ela por mim, existiria a possibilidade de me relacionar com os dois simultaneamente. Mas são duas pessoas independentes.
Isso muda tudo!

A unicornização é mais uma prova que Poliamor sem feminismo não é possível, e que o conhecimento liberta!

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Sobre Ciúmes

Tem uma psiquiatra, Donatella Marazzit, que estuda a ciência do amor e diz que a explicação biológica do ciúme está na taxa de serotonina no sangue.

Primeiro, vamos entender o que é a serotonina.
Fui perguntar para um amigo meu que é médico sobre a serotonina e me explicar melhor isso para eu entender. A explicação dele foi:

“Serotonina é um neurotransmissor. Uma substância química que leva a informação de um neurônio para o outro.
Ela regula varias sensações, entre elas a dome, temperatura do corpo, cognição e desejo sexual.
O importante é o seguinte:
Ela tem produção lenta, ou seja, não é abundante. Por isso corpo precisa recaptar ela. Quando há problemas na recaptação, os níveis dela caem. E as consequências vem, como a mudança de humor, depressão, agressividade.
Por isso algumas drogas anti depressivas são chamadas de recaptadoras.
Não sei se vc sabe, mas um neurônio não toca fisicamente no outro. Há um espaço nanométrico entre as superfícies, e são os neurotransmissores que fazem a ligação, levando a informação.
Se ele sai de um lado e não é captado do outro, a informação se perde.”

Depois dessa ótima explicação, para mim faz mega sentido a serotonina ter ligação direta com o ciumes.
Isso explica algumas pessoas com pouco ciumes e outras com muito.
A outra questão importante é o patriarcado, como o machismo ensina as pessoas a lidar com isso.
Eu escrevi um texto sobre insegurança feminina, como nós mulheres somos educadas para sermos inseguras e os homens para serem seguros. Escrevi:

“As mulheres são educadas para serem inseguras e os homens para serem seguros. Isso faz parte da naturalização machista. Mulheres são ensinadas que homens são cafajestes por natureza, e os homens são ensinados o mesmo, e assim, tem-se o aval para o serem. Enquanto o homem não pode expor e desenvolver suas emoções, mulheres são motivadas a se expor e desenvolver suas emoções. Enquanto as mulheres são ensinadas a fechar a perna, os homens são ensinados que enquanto não metem seus objetos fálicos em uma cavidade sexual feminina não são homens de verdade.”

Então, não é apenas uma explicação científica, mas também social. É o “como somos ensinadas a lidar com a serotonina em nosso corpo.”

Entender isso faz parte de um processo de desconstrução da forma como lidamos com o que sentimos.

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Meu Cabelo Minhas Regras

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Lembro quando cortei pela primeira vez o meu cabelo e a reação da maiorias das pessoas foi: “Mas seu cabelo era tão bonito!”, ou “Mas ele era tão bom!”. Olha só, meu cabelo continua sendo bonito, só que curto.

Eu tenho muito orgulho do meu cabelo curto, principalmente pq sou EU que corto.
99,9% das pessoas com quem eu falava em cortar meu cabelo tinham reações como se eu tivesse perguntando “Acho que vou bater na cabeça de uma criança até o cérebro dela sair. O que vc acha?”.

Lembro que meu primeiro namorado me AMEAÇAVA dizendo que ia terminar o namoro se eu cortasse meu cabelo. Mas aí é como aquela #:
#MasEleNuncaMeBateu.

Cortar meu cabelo hoje é #empoderamento do meu corpo. Uma das melhores sensações pra mim é quando corto o cabelo no banho. 😍

Quando eu falo de empoderamento, falo de como cabelo é algo extremamente machista. Cabelo é a simbolização da feminilidade.
Um ótimo exemplo atual: homens de cabelo longo (coque samurai) viraram o padrão de beleza. Os ditos pró-feministas e socialistas, que em teoria seriam mais SENSÍVEIS, tem esse biotipo na atualidade.
Quer um exemplo mais antigo? Sansão. Sua força e VIRILIDADE estavam no cabelo.
Então, quem diz que gosta mais de cabelo longo e que gosto é que nem cu e não se discute… GOSTO SE DISCUTE SIM!

Que nossos cabelos deixem de ser do mundo e sejam nossos.
Que sejam a representação do que somos, do que queremos ser e de como queremos mostrar isso ao mundo.

#MeuCorpoMinhasRegras

Publicado em Diário, Escrevendo, Pensando e Escrevendo, Pronto, falei!, Reflexão Do Dia, Sentindo e Escrevendo

A importância de nomenclaturar as coisas

Eu saí a algumas semanas com um cara que veio argumentar comigo que eu fico rotulando muito as coisas.

Eu já estava tete a tete com ele e já tinha bebido 2 cervas (sou fraca, 2 eu já fico lokona). Fui pra casa, dormi e acordei pensando nisso.

O cara é branco, cis, hétero, monogâmico, alossexual, corpo sarado e morador da zona sul do Rio. É o padrão em formato de ser humano.
O cara nasceu na bolha de representatividade. Para onde ele olha se vê representado. Ele não faz ideia do que é não ver representatividade, se sentir perdido perante quem você é. Quem não é padrão se sente tão sozinho que parece que nem existimos. Somos invisíveis.

Quando a gente lê e ou escuta alguma definição que nos cabe, a sensação é de acolhimento, de um abraço demorado seguido de um “você não está sozinha”.
Ele nunca na vida vai entender a importância disso, então pra ele é mole dizer “no more rótulos”.

Amigo, você é padrão, você tem 100% de representatividade, você é o rótulo em formato humano, você nasceu achado.

Então, na minha opinião seguida da minha vivência, eu acho definições muitíssimo importante diante do mundo que só existe para quem é padrão.

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O Patriarcado é Estrutural

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Quando a gente fala que no meio não monogâmico a gente tem que tomar 10x mais cuidado, é disso aqui que estamos falando.

Eu conheci esse cara ano passado em uma uma festa não monogâmica, rolou uns 2 ou 3 beijos e só. Depois nunca mais.
Ontem ele me achou aqui no Facebook e veio conversar comigo. Tivemos 30 minutos de conversa aonde ele me questionou se swing era um tipo de relacionamento não monogâmico.
Oi?!
 
Expliquei que não, e logo depois ele fez esse questionamento aí no print.
 
O patriarcado ensina aos homens que eles tem que transar com muitas mulheres, e que esse número sempre tem que ser maior que dos amigos.
 
Um mini flashback:
 
Eu, meu primo, amigo do meu primo e meu pai sentados na sala e meu primo todo feliz e orgulhoso conta que naquele dia iria sair com os amigos para comemorar a 100º mulher que ele comeu.
Os homens riem e o parabenizam. Eu fico com cara de bunda e questiono se fosse eu indo comemorar com as amigas o 100º cara que dei.
Fez-se o coro dos homens: é totalmente diferente. Você é mulher.
 
Fim do mini flashback.
 
É estrutural. E se não o fosse não teria a força que tem.
 
Quando o cara conhece uma mulher bem resolvida sexualmente (o que é uma premissa de mulheres não monogâmicas), eles naturalizam esse tipo de questionamento abusivo.
 
Acha que foi a primeira vez que me perguntaram isso?
Não foi a primeira e tenho certeza absoluta que não vai ser a última.
 
A resposta que recebi dele foi um bloqueio.
 
E vai ter aqueles que vão argumentar que fui grossa.
 
Queria avisar a quem argumentar com isso que eu fui delicada até demais. Fui uma flor se quer saber.
 
Manas, não naturalizem esse tipo de questionamento de quem não tem intimidade com você.
 
As manas que quiserem saber quem é, me pedir em off que mando o print com nome e foto.

 

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Sobre Responsabilidade Afetiva

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O que eu entendo sobre responsabilidade afetiva não tem só a ver com relacionamentos amorosos e nem apenas com o outro ser humano.

Temos a máxima do pequeno príncipe:
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Mas acredito que também tem a ver com os nossos próprios sentimentos. Ter responsabilidade afetiva com o outro e com nós mesmos.

Então, partindo desse princípio, responsabilidade afetiva tem a ver com honestidade e clareza.

Na prática, creio que tem perguntas que devemos fazer ao outro e a nós mesmos frequentemente:

  • Você está bem?
    Eu estou bem?
  • Você está confortável com essa minha atitude?
    Eu estou confortável com essa atitude da pessoa?
  • Como você está depois que fiz tal coisa?
    Como estou depois que a pessoa fez tal coisa?
  • Como podemos fazer você ficar confortável?
    Como podemos fazer eu ficar confortável?

E essas questões devem ser externadas. (até porque ninguém tem bola de cristal, né mores!)

Sendo assim, quando se fala que no término precisa de responsabilidade afetiva, na verdade é uma construção. Se não teve responsabilidade afetiva no término, é que em algum momento ela se perdeu na relação.
Ou nem se quer foi construída.
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Sobre Machismo e Relações Não Monogâmicas

Acabei de ler o texto Precisamos falar sobre machismo nas relações e ambientes não monogâmicos, e pqp… que texto maravilhoso!

Esse texto me fez lembrar do meu primeiro namoro não monogâmico, aonde eu achava que ele era o foda do foda do foda da desconstrução.
Eu não tinha nem metade do conhecimento que tenho hoje sobre feminismo, e por ignorância acabei colocando ele em um altar do rei da desconstrução.
Foi a outra namorada voltar de viagem que o rei ficou sem calças e a cueca suja veio a tona.

Eu fui massacrada por privilégios e não fazia ideia de como lidar com aquilo. Fui responsabilizada por mentiras e omissões (não queria te magoar e você não iria lidar bem com a verdade).

Meses depois do término, nos encontramos para tentar ter uma conversa e reatar uma amizade. Ele foi muito, muito, mas muito frio comigo. Foi um dos piores encontros da minha vida, aonde estava tete a tete com um cara que namorei, que tinha muita intimidade, mas que naquele momento toda a história que vivemos tivesse sido deletada.
Eu, muito magoada ainda, perguntei para ele de forma bem direta: como faço para superar essa merda toda?
Ele, super frio, disse: aceita que eu preferi ela.

Eu voltei para casa aos prantos naquele dia. E agora, escrevendo isso, depois de 10 meses do término, a vontade de chorar ainda existe.

Mas sou resiliente, e como a Pablo Vittar canta:

E quanto mais dor recebo
Mais percebo que eu sou
Indestrutível