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Devaneios – Parte 4


Morreu. A flor. Cinco dias depois. Mas guardei-a em um plastico. Não quero esquecer da esperança. Por que essa não morreu. Esperança de que vai passar, que vou superar, que a dor vai sumir e voltarei a amar… outro, e deixar-me ser amada. Como mereço, como desejo. E que o amado me seja suficiente, mesmo com seus defeitos. Que seu amor por mim me envolva em um prazer livre. Que eu o ame com prazer. Prazer esse que me saciará, que me fará salivar, tremer e contemplar o simples efeito do amor. E vou lembrar desse meu desejo. Vou guardar o sabor do que não tenho, por que hoje, salivo pelo desejo. Desejar faz parte do amor não correspondido. E se não prestar atenção, confundirá os dois. Saber a diferença é fundamental. E para isso,precisa de tempo e silêncio. Muito silêncio. É no silêncio que escutamos claramente os sentimentos. Quando se tem muito barulho, a interpretação vem deturpada. O registo de cada sentimento vem com alguma falha, algum vazio. E você não consegue juntar as peças. Faça silêncio. Respire profundamente várias vezes… Se permita mergulhar nesses sentimentos. Você só vai saber o que sente realmente, entrando em contato direto com o sentimento. E aceite. Aceite o que sente.

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Devaneios – parte 3

– Respira fundo cinco vezes vai… Um… Dois… Três… Quatro… Cinco… Escutou?
– O que?
– Seu coração.
– É, ainda bate forte.
– Mas agora você escuta ele.

As vezes ele grita. Quase fico surda. As vezes fala baixo e suave. Hoje a noite ele gritava. Ontem também gritou. Acordei com ele disparado as duas horas da manha. Foram duas madrugadas inquietas. Sofridas. Tentava ignorar os gritos, tentava fingir que não os ouvia. Na primeira noite com gritos eu fui forte, e consegui não me apavorar tanto. Mas no decorrer do dia, os gritos eram mais fortes. Davam pequenas pausas e voltavam. No final do dia já me doía a cabeça e não conseguia sair da cama. Consegui dormir com muito esforço, mas acordei com os berros do coração novamente. Olhei para o relógio e eram duas e treze da manha. Quase a mesma hora dos berros da madrugada anterior. Mas dessa vez eu já estava fraca com os berros do decorrer do dia. E novamente senti inveja da minha cama.
Chorei. Quarenta minutos de choro incensante. Quando consegui parar de chorar e fui me olhar no espelho, vi a mulher mais feia do mundo. Meus Deus! Salve essa mulher! Imagine você, uma mulher triste, porque você sabe que tristeza não deixa ninguém bonito. Olhos inchados e vermelhos, cabelos em pé e um ar de fundo do poço. Desejei que ele nunca me visse assim. Deveria ter desejado não estar assim. Mas desejei que ELE nunca me visse assim.
Ainda escuto os berros, ainda me dói a cabeça, ainda quero voltar para cama e me afundar nela. Mas se eu fizer isso hoje, talvez eu não levante tao cedo. E não quero. Quero poder ficar triste, escutar berros e sentir dores de cabeça, e mesmo assim não precisar parar a vida por causa disso. Mas sinto que estou parada numa estação de trem. Além da próxima estação ser muito longe, o trem esta quebrado e terei que esperar o conserto. E nem sei quanto tempo vai levar. Por isso respiro fundo, volto para casa, e respiro mais fundo ainda, até chegar a hora de pegar o trem e ir para a próxima estação. Qual é a próxima estação? Não sei. Descobrirei quando chegar lá.

A dois dias comprei uma flor para mim. Do nada. Estava na rua e fui paquerada por ela. Ela me olhava incessantemente. Linda! Uma rosa vermelha, aveludada, semi aberta e com um brilho visto apenas por mim. Eu não conseguia parar de olhar para ela. Não tive duvida, ela era minha. Comprei e coloquei ela no meu quarto, mesmo sabendo que flores não duram nada comigo. Nunca soube explicar o porque. Parece que comigo elas duram menos. E pasme, mas essa flor linda, continua exalando beleza e perfume. Mesmo no meu mar de tristeza, essa flor veio com ar de esperança. Esperança essa, que quase se afoga na fúria desse meu mar. E essa flor me faz lembrar que a esperança ainda esta la.


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Devaneios – parte 2

Tem alguém me puxando. Tem alguém querendo que eu fique. Já falei, eu quero voar! E alto. Não quero plainar como uma pena. Quero voar. Quero fazer do vento direção. Quero deixar de ser pedra e ser pássaro.
E se eu tiver que ser pena antes para ser pássaro? Sempre se passa por algo ‘meio termo’ antes de chegar ao que se quer ser? E quanto tempo tenho que ser meio termo para ser ‘termo inteiro’?
Saco! Não quero ser meio termo. Quero voar. Quantas vezes tenho que repetir que quero voar? Talvez eu repita tanto isso, acreditando que de tanto repetir, aconteça.
Esta doendo. Dor dos infernos! Inferno não, porque inferno não é dor. Pelo menos não o que eu acredito que seja inferno. Inferno é perder-se de si mesmo e não conseguir voltar. É acreditar no que se não é, e esse não ser passa a ser o que se é, sem culpa de deixar de ser o que se é. Talvez a loucura tenha um pedaço do inferno. Seria como estar sem estar. Mas se não esta lá por inteiro, a esperança de sair do inferno é maior. Seria o meio termo do inferno. Estar e não estar. No inferno, existem outras pessoas que acreditam ser o que não são, e a ‘sociedade do inferno’ facilita você a acreditar que você é aquilo que pensa que é, mas que na verdade não é, e pronto, você já faz parte do inferno. Quando se tem outras pessoas fazendo você acreditar na teoria de que você é aquilo e apenas aquilo, você acredita, porque sua mente esta tão desorganizada que qualquer confirmação daquilo que você não tem certeza, passa a ser certo. Quem esta no inferno, não sabe que esta la.
Talvez a pessoa que esta me puxando, querendo que eu seja pedra, seja eu mesma. Talvez eu novamente esteja me sabotando. Colocar a culpa no outro é mais fácil do que se culpar das suas próprias doenças. Todo mundo sabe disso. Ou pelo menos os seres pensantes sabem que culpar o outra dói menos. E essa dor dos infernos, que não é do inferno, dói por que sei que minhas doenças são culpas minhas. Alem de ter a doença, que já é dolorosa por si só, ainda tenho uma outra dor… A culpa. E a dor da culpa é maior do que da própria doença.
Estou doente. Chama-se amor não correspondido. Pode matar se não tiver cuidado. Mas eu ei de viver para contar o que tem do outro lado do infinito. A morte em vida é a chamada restruturação do ser. Renovar o que se é e praticar o ser que se quer ser e ainda não é. A pratica é que faz o mestre, já dizia o velho provérbio. E o mais difícil é começar, ou recomeçar, como quiser. Mas como diz um grande amigo meu ‘muitas vezes a coisa tem que ser forçada primeiro, para depois ser natural.’ Ou algo semelhante a isso. Mas a ideia é essa. Richard Bach em Ilusões diz: “Então, só porque alguma coisa é difícil, você desiste de fazê-la? Andar a principio era difícil, mas você praticou e agora faz com que pareça algo fácil.” No começo é difícil, tem que forçar mesmo. Mas com a pratica, você vai acabar fazendo naturalmente. Por isso o começo, ou recomeço, é tão difícil. Porque é forçado.
Não quero deixar de ama-lo. Não! Nunca! Quero que esse amor mude para uma outra forma de amor. Que eu consiga ama-lo sem que doa a mim. Porque se dói é que algo esta errado, fora do lugar ou até mesmo danificando alguma coisa. A dor é essencial para o processo de cura. É ela que avisa que algo esta errado, e a partir daí se faz o que for necessário para se curar o que esta doente. A dor é a sirene, e não o paciente na ambulância.
Eu antes de escrever aqui, tentei colocar uma música para dar aquele som ambiente, sabe? Algo tranquilo, calmo. Tinha colocado Yiruma, um pianista muito bom. Mas começou a me irritar e tirei. Não era calma que eu queria. Tinha que ser no mínimo Ratos do Porão. Gritos é o que mais se aproxima do que eu tenho por dentro. Musica clássica só daqui a um tempo.
– Respira fundo cinco vezes vai… Um… Dois… Três… Quatro… Cinco… Escutou?
– O que?
– Seu coração.
– É, ainda bate forte.
– Mas agora você escuta ele.

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Saudade por Fellipe Branco

Em uma das viagens ao blog do Fellipe Branco [http://doencasecronicas.blogspot.com/], eis que me deparo com a descrição emocionante da palavra Saudade. Leia e se emocione também:


“Substantivo feminino que é único. Não existe palavra em outro idioma que seja tão definitiva, que consiga reunir tanto significado. Saudade é um substantivo com alma de verbo intransitivo. E em muitas vezes é eufemismo de algo maior.

Sentir falta ou saudade anda de mãos dadas com a espera. Sentir saudade do que é, do que foi, do que será, do que não foi, do que nunca será e do que certamente será. Saudade.

A palavra que desperta as mais diversas emoções, susto, pasmo, dor, alegria, ardor, ternura, raiva. Palavra que tem a origem nas profundezas da história portuguesa que vem do latim solitas / solitatis que significam solidão e a palavra sofre influencia das palavras salute / salutione / salutare que significam saúde e ainda pode ser sinônima de salvare / salvatione que quer dizer salvar, salvação. Isso pode explicar em partes o tamanho do significado dessa que é a sétima palavra de tradução mais difícil, segundo especialistas.

Mas não dá para teorizar muito sobre, é melhor deixar sentir. E o resto?! Bem, como diria o poeta… “O resto é o mar, é tudo que não sei contar…”

Fellipe Branco”

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Devaneios – parte 1

Se eu fosse descrever o que se passa em minha mente, eu não teria tempo para mais nada além de escrever. Mas como estou começando a sentir necessidade de tirar isso de mim, então escrevo. Na verdade minha vontade já é antiga, minha angustia já é antiga, minhas dores já são antigas, minha ânsia já é antiga… Eu já sou antiga.

Velha. Mas para quem? Eu me sinto velha nas minhas comparações. Me sinto velha nas minhas tentações. Tentações antigas e perigosas. Me jogar é uma das minhas tentações mais antigas. E seja lá o que isso for. Me jogar está mais para um salto ao infinito. Mas o infinito é muito grande, e eu não sei o que tem do outro lado. Você sabe o que tem do outro lado? Por favor me diga. Não. Na verdade eu não quero saber. O que você viu com certeza será diferente do que eu verei. Prefiro eu tirar minhas conclusões.
Tem alguém ai?! Está me ouvindo? Ei, ei! Não quer me ouvir? É, eu sei… É chato. Meus pensamentos são chatos para você. Nada muito além do que um ser humano em sofrimento. E quem não sofre, não é? Todo mundo sofre. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, já dizia Caetano.
É bom ser o que é? Me desculpe mas não estou satisfeita não. Que ser muito além do que sou. Quero voar alto para ninguém me alcançar. Não me toque! Seus toques me prendem nesse mundo, e eu quero voar. Eu sei, é mais fácil ficar aqui. Mas eu já disse! Pare! Não me toque! Ta bom então. Eu fico mais um pouco.
Deitei na cama um dia desses e parecia como se eu fizesse parte dela. A cama parecia que me engolia. Meu corpo pesava, minha cabeça doía. Acho que eu estava tão triste naquele dia, que queria virar uma cama. Porque a cama é um objeto, e objetos não sentem dor, não ficam tristes e nem choram. De fato que naquele momento senti inveja da minha cama. Sortuda!
Outro dia em compensação eu queria distância dela. Ser cama para mim já não fazia mais sentido. Mas eu estava feliz. Tinha acabado de encontrar o amada. Eu mal conseguia sentar na cadeira. Ela também não fazia ideia de como era bom amar. Naqueles momentos eu pensava no sentido da vida. Que era por conta daquilo que sentia que estávamos aqui no mundo.
Será?! Não sei se é muito lógico. Eu penso em Deus. Se ele existe ou é invenção do homem para satisfazer suas perguntas filosóficas que não tem resposta. E Jesus é outro que tenho lá minhas dúvidas se realmente existiu. Mas eu não espalho muito essas minhas ideias. Vão dizer que sou louca e me darem passe livre para o Pinel.
E se eu for louca fantasiada de normal? O louco não sabe que é louco.
Estou confusa. Com medo de passar a minha vida acreditando que tenho umsonho, e depois que morrer descobrir que o sonho não era meu, e sim da sociedade manipuladora de pensamentos alheios. Tenho medo de não conseguir ser nem metade do que eu gostaria de ser.
Minha borboleta não tem cor e eu quero colori-la. Eu sou a borboleta sem cor. O que não tem cor passa despercebido. Mas na verdade eu não quero chamar a atenção. Ou quero? Talvez eu queira que alguem olhe para esse borboleta e veja o quanto ela é bonita mesmo preta e branca.
Pensando bem, preto e branco não é tão ruim. O branco é a união de todas as cores, e o preto é a ausência de luz. Talvez eu consiga fazer cores com preto e branco. Talvez seja isso. Minha borboleta esta preta e branca porque ainda não aprendeu a fazer cores. Será? Eu não sei. Devaneios!
Richard Bach disse em Ilusões: ‘Muitos escolhem determinadas vidas porque gostam de fazer coisas juntos.’ Deixarei meu sonho (ou que a credito ser meu sonho) porque teria que faze-lo sozinha? Qual a vantagem de seguir a vida sozinho, sem que ninguém te perceba? Acredito que as pessoas não queiram ficar sozinhas por costume de estar sempre acompanhadas. Outra rase de Richard Bach em lusões: ‘A gente se habitua a ficar sozinho, mas se interromper o hábito nem que seja por um dia, tem que se acostumar de novo.’ É habito. Resta saber se você quer ou não viver desse habito. A maioria prefere viver junto. Talvez eu também prefira. Eu acho que prefiro. No atual momento, não tenho certeza de nada. Nem que a colher existe.
Sinto um pouco de Clarice no que estou escrevendo. Quem leu Clarice Lispector deve ter percebido também. Nada de plágio, apenas uma sensação de ousar um pouco do que o outro ousou e se aliviar das tensões.
Clarice era intensa como ninguém, e era visível isso na sua escrita. Clarice me entenderia. Sinto fogo no que ela escreve, sinto angustias, medo, tristezas, ódios. Como se ela sentisse o que sinto. Ler Clarice é como um alívio do mundo e da solidão. Mas a solidão do silencio. Não o silencio intencional, mas o silencio da indiferença. Esse me perturba de tal forma que as vezes enlouqueço.
Estou triste. Mas triste pela confusão que estou. Me meti nesse mar de incertezas, quase me afogando. O problema é que quando entro em contato com o silencio da indiferença, eu enlouqueço e começo a me debater. Quanto mais eu me debato, mais eu afundo e fico sem ar.
Tenho que parar de me debater antes que seja tarde.
Eu já falei, não me toque! Mas que coisa! Deixa eu falar!

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Bullying


Já ouviu falar? Se não, pesquisei na internete e achei isso aqui:

“O termo bullying surgiu na Noruega, na década de 80, e é originário da palavra inglesa bully, que quer dizer ameaçar, intimidar, amedrontar, tiranizar, oprimir, maltratar. O primeiro a relacionar a palavra ao fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega. Ao pesquisar as tendências suicidas entre adolescentes, Olweus descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, bullying era um mal a combater.

Embora a denominação seja recente, o fenômeno é mais antigo que a própria escola e se repete continuamente em todo o mundo. Não é restrito a uma instituição específica. Pode ocorrer em escolas de todo o tipo: primárias, secundárias, rurais, públicas ou privadas. Onde há uma criança ou um jovem sofrendo qualquer tipo de pressão psicológica, atitude agressiva intencional e repetida, sem motivação evidente, o fenômeno está presente e precisa ser tratado com a seriedade que merece.”

Eu sofri bulliyng, de leve, mas sofri. E é bem dificil até hoje falar sobre. Fico imaginando para quem sofreu com bullyings mais agressivos, o quanto isso afeta psicologicamente a pessoa. O quanto ela se culpa e acredita mesmo que a culpa é dela. Digo por experiência própria que chegamos a acreditar na nossa culpa.
A familia e a escola tem que ficar realmente de olho, porque realmente é uma pesadelo silencioso.

Tem um site de pediatria muito bom, que explica detalhadamente o Bullying, falando dos alvos, dos autores e das conseguencias.

Clique aqui: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572005000700006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Assunto não muito falado, mas as estatísticas falam por si:

Segundo a pesquisa realizada pelo Ibope, de 5.482 alunos entre 5ª a 8ª séries de 11 escolas do Rio de Janeiro, mais de 40,5% admitem ter praticado ou ter sido vítimas de bullying.
O bullying já atinge 45% dos estudantes de ensino fundamental do país, seja como agressor, vítima ou em ambas as posições.
2.000 entrevistados, 49% estavam envolvidos com a prática e 22% eram vítimas, 15% agressores, e 12%, vítimas agressoras.

Denuncie. Não se cale!

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Limitações/Objetivo

Estava lendo Um Sopro de Vida (Pulsações), de Clarice Lispector, que amo loucamente, e bateu forte essa frase: “As minhas limitações são a matéria-prima a ser trabalhada enquanto não se atinge o objetivo.

Clarice é foda! Intensa com ninguém.

A parte do livro que tirei foi essa:

… Inspiração não é lou­cura. É Deus. Meu problema é o medo de ficar louco. Tenho que me controlar. Existem leis que regem a co­municação. A impessoalidade é uma condição. A separatividade e a ignorância são o pecado num sentido geral. E a loucura é a tentação de ser totalmente o poder. As minhas limitações são a matéria-prima a ser trabalhada enquanto não se atinge o objetivo.

Como disse Richard Bach em Ilusões: “O pecado original é limitar o ser. Não o faça.

Seus limites podem te dominar, e esse domínio é totalmente aceito por você, ou não. Aceitar os limites é uma escolha. Ninguém vai além do que é se aceitar-se como é e pronto. Ir além do que se é hoje é ir além de sua limitação. Seu limite depende de você.

Entenda, que por exemplo, uma pessoa gorda, que se aceitar como é, dificilmente vai emagrecer, porque se convenceu de que ser gorda é algo que já faz parte dela.
Ser e estar são verbos diferentes.

O limite real é mental e pode ser mortal. A pior morte é aquela que ainda se está vivo.

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Chuva nos pés

 

Em uma tentativa frustrada de me acalmar
a chuva molhou meus pés
Eu
que já não me continha de tanta ansiedade
deixei a chuva me molhar

Mas de nada adiantou
já que a chuva que batia nos pés
não acalmava o meu coração

Ao ver meu amado molhado
de braços abertos para um abraço
quase não contive a lágrima que insistia em sair

Ali
eu estava prestes a dizer o quanto eu o amava
A chuva
agora molhava
não só os meus
 mas os pés dele também

Na escada
aonde a chuva não nos alcançava
disse a ele o quanto eu o amava

Discorri
mesmo tremendo
tudo que eu não poderia mais guardar

A chuva aumentava
Barulhos
Luzes do céu
A mágica da natureza era apenas o reflexo do estava dentro de mim

Seus olhos estavam atentos a todos os meus movimentos
Sua expressão de admiração pela minha coragem
que ele julga não ter

Ele também sofre
porque o não que seria perfeito se fosse sim
 é não!
E esse não
tão doloroso de ser dito
de ser ouvido
foi dito

O amado
que é lindo
não se torna mais belo pelo não

O amado
que é lindo
é simplesmente lindo

Na despedida
a chuva ainda molhava nossos pés

E a nossa proteção não era o guarda-chuva
Mas a amizade que nos protege até do amor não correspondido