Publicado em Diário, Pensando e Escrevendo

Motivos para NÃO gostar de carnaval

1- Trânsito

A cidade fica um caos! As ruas mudam de mãos, aumenta a quantidade de ônibus e os taxis parecem triplicar. É sério! Acho que mais da metade dos taxis ficam em garagens o ano todo, só saem no carnaval.

2 – Barulho

Engano seu se acha que no carnaval ninguém aperta a buzina. Ruas inteiras são fechadas por conta das bandas de ruas, causando muito mais apertos em buzinas. A sintonia entre elas e a bateria fazem você acreditar que no carnaval ninguém buzina. Buzina sim. Você só não consegue separar o joio do trigo.

3- Televisão

Quem me conhece sabe que raramente assisto televisão. E no carnaval fujo dela muito mais do que o diabo da cruz. Bundas, peitos, bundas, peitos, bundas, peitos e claro, rebolation. Acho que esqueci de algo que também passa no carnaval… Ah! Peitos e bundas!

4- Músicas

Aumenta em 5 ou 6 vezes a quantidade de músicas baianas. E deixando claro que nem toda música baiana é ruim. Mas no carnaval, como é sucesso de 1 semana, as músicas baianas de carnaval só tem um intuito: fazer você sair do chão. E só! Ela não te faz pensar, não tem filosofia e a melodia é quase sempre a mesma. Só muda o refrão, que na maioria das vezes o refrão é a música toda. Faça um flashback e escute as músicas baianas de carnaval de 10 anos atrás. Netinho, Banda Eva (com Ivete), Daniela Mercury e por ai vai. Época boa da música baiana, com ritmos diferentes para cada música e letras com pelo menos 5 frases diferentes.

5- Aglomeração

Esses tópicos não estão em ordem. Se estivessem, esse seria o 1º ou 2º. O.D.E.I.O! Sabe por que se pula carnaval? Porque é o único movimento que se pode fazer no meio de 200 pessoas por metro quadrado. Não se mexe para os lados de forma alguma. Só resta o movimento vertical. E sem falar nos cheiros. Esses eu prefiro nem lembrar.

6- Promiscuidade

Momento Wikipédia: “A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra “carnaval” está, desse modo, relacionada com a idéia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão “carnis valles”, que, acabou por formar a palavra “carnaval”, sendo que “carnis” do grego significa carne e “valles” significa prazeres.”
Preciso explicar mais? Não, né?!

Agora, se você quiser me convidar para um carnaval em Veneza (http://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval_de_Veneza), esse eu vou!

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Pink – Dear Mr. President

Pink é agridoce. Doce no simbolismo do feminino, e acidez no simbolismo do masculino. O equilibro certo fez com que seu ‘paladar’ para a música me atraisse. Me identifiquei com o jeito agridoce de ser.

Suas músicas não são para a multidão. Engana-se quando escutam e pensam ser mais uma ‘popezinha’ na parada. Pink lançou seu primeiro cd em 2000, e de lá para cá não parou. Ganhou 2 Grammys e foi indicada para mais outros 7 que não ganhou.

Essa música ‘Dear Mr. President’ foi uma carta aberta ao Bush. Ela disse que essa música nunca seria lançada como um single nos Estados Unidos, porque era importante demais para ser percebida como um golpe publicitário.

A letra original:

Dear Mr. President

Come take a walk with me. (Take a walk with me)
Let’s pretend we’re just two people and
You’re not better than me.
I’d like to ask you some questions if we can speak honestly.

What do you feel when you see all the homeless on the street?
Who do you pray for at night before you go to sleep?
What do you feel when you look in the mirror?
Are you proud?

How do you sleep while the rest of us cry?
How do you dream when a mother has no chance to say goodbye?
How do you walk with your head held high?
Can you even look me in the eye
And tell me why?

Dear Mr. President,
Were you a lonely boy? (Were you a lonely boy)
Are you a lonely boy? (Are you a lonely boy?)
How can you say
No child is left behind?
We’re not dumb and we’re not blind.
They’re all sitting in your cells
While you pave the road to hell.

What kind of father would take his own daughter’s rights away?
And what kind of father might hate his own daughter if she were gay?
I can only imagine what the first lady has to say
You’ve come a long way from whiskey and cocaine.

How do you sleep while the rest of us cry?
How do you dream when a mother has no chance to say goodbye?
How do you walk with your head held high?
Can you even look me in the eye?

Let me tell you ‘bout hard work
Minimum wage with a baby on the way
Let me tell you ‘bout hard work
Rebuilding your house after the bombs took them away
Let me tell you ‘bout hard work
Building a bed out of a cardboard box
Let me tell you ‘bout hard work
Hard work
Hard work
You don’t know nothing ‘bout hard work
Hard work
Hard work
Oh

(How do you sleep at night?)
(How do you walk with your head held high?)
Dear Mr. President,
You’d never take a walk with me.
Would you?

Tradução:

Querido Sr. Presidente

Venha dar uma volta comigo
Vamos fingir que somos apenas duas pessoas e
Você não é melhor do que eu
Eu gostaria de fazer-lhe algumas perguntas se pudermos conversar honestamente

O que você sente quando vê tantos sem-tetos nas ruas?
Por quem você reza a noite antes de dormir?
O que você sente quando olha no espelho?
Você está orgulhoso?

Como você dorme enquanto o resto de nós chora?
Como você sonha quando uma mãe não tem a chance de dizer adeus?
Como você anda com a sua cabeça erguida?
Você pode pelo menos me olhar nos olhos
E me dizer como?

Querido Sr. Presidente
Você era um garoto sozinho?
Você é um garoto solitário?
Como você pode dizer
Nenhuma criança é deixada para trás?
Nós não somos bobos e não somos cegos.
Eles estão todos sentados em suas celas
Enquanto você abre o caminho para o inferno

Que tipo de pai tiraria os direitos da própria filha fora?
E que tipo de pai poderia odiar a própria filha se ela fosse gay?
Eu só posso imaginar que a primeira-dama tem a dizer
Você já percorreu um longo caminho de uísque e cocaína.

Como você dorme enquanto o resto de nós chora?
Como você sonha quando uma mãe não tem nenhuma chance de dizer adeus?
Como você anda com a cabeça erguida?
Você pode pelo menos me olhar nos olhos?

Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Salário minimo com um bebê a caminho
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Reconstruir sua casa depois que as bombas a levaram embora
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro:
Construir uma cama com caixas de papelão
Deixe-me te dizer sobre trabalho duro
Trabalho duro
Trabalho duro
Você não sabe nada sobre trabalho duro
Trabalho duro
Trabalho duro
Oh

Como você dorme a noite?
Como você anda com a cabeça erguida?
Querido Sr. Presidente
Você nunca daria uma volta comigo…
Daria?

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Infinito aconteceu

Era um fim de semana diferente para o Rio de Janeiro. A semana toda foi focada na polícia e no exercito que invadiram o complexo do alemão. As atenções estavam todas voltadas para isso.

Pela janela, ela podia ver o céu azul com poucas nuvens e o sentir um pouco do vento em seus cabelos. Já eram quase 3 da tarde e decide ir a praia… sozinha.
Aprendeu a aproveitar momentos em sua própria companhia. Para algumas pessoas é algo impossível. A um tempo atras, ela acreditava no impossível. Hoje ela sabe que o impossível não existe.

Vestiu seu biquíni, colocou a canga na bolsa, passou o protetor solar, colocou o short e a blusa. Parou, olhou para o celular e pensou duas vezes em leva-lo ou não. Decidiu pelo sim e o jogou na bolsa. Colocou suas havaianas, prendeu o cabelo e… quase esqueceu do livro… voltou, colocou o livro na bolsa e foi…

Já perto da praia, a maioria das pessoas  já estavam voltando. Olhou para a areia e não tinha mais quase ninguém. Andou em direção ao seu lugar cativo (alguns poucos metros dali).

Tirou a canga da bolsa,  esticou-a na areia e colocou as havaianas em cada canto para não voar. Colocou a bolsa em cima da canga, tirou o short (ela sempre tira ele primeiro, com vergonha da barriga), tira a blusa, pega o livro e deita de frente para o sol.

Ela começa a ler. Como um fundo musical, a poucos metros dela, um homem sozinho começa a cantar uma música antiga, lá da bahia, chamada ‘Baianidade Nagô’. Ele começa a cantar um pouco baixo, e a voz aumenta quando chega no refrão. Ela tenta se concentrar no livro. Ele continua. Ela sorri escondido no livro, e pensa como a letra fez sentido naquele dia, e começa a cantar a música junto com ele, só que mentalmente.

Juntos, eles cantam o refrão da música:

“Eu queria
Que essa fantasia
Fosse eterna
Quem sabe um dia a paz
Vence a guerra
E viver será só
Festejar”

Depois de alguns minutos, o cantor pega suas coisas, passa por ela e segue seu rumo… cantando…

Ela volta a ficar sozinha… e resolve dar um mergulho.
Levanta, coloca o livro em cima da bolsa, solta o cabelo e vai ate o mar. Hoje tudo esta conspirando a seu favor. O mar esta manso, limpo e frio na medida certa. Entra devagar para o corpo acostumar com a temperatura. Tampa o nariz e mergulha. Abriu os olhos ainda dentro d’agua, e viu um cardume de pequenos peixes passando na sua frente. Ela tira a cabeça da água sorrindo. Pegou ar, e afundou de novo, olhando para o céu e cantando ‘Baianidade Nagô’ mentalmente. Tira a cabeça da água de novo para pegar ar, e afunda tapando o nariz olhando para o céu. Nessa segunda vez, a natureza resolve lhe dar mais um presente. Sobrevoa bem perto do mar um pequeno bando de pássaros. E mais uma vez ela sorri.

Ela sai da água e não espera se secar. Coloca a blusa, veste o short, pega o livro, dobra a canga, coloca os dois dentro da bolsa e volta sorrindo para casa.

Para ela, o infinito acabou de acontecer…