Publicado em Diário, Pensando e Escrevendo

Outono – Uma estação em crise existencial

Outono não é apenas folhas secas no chão. Outono é uma estação em crise existencial. Uma hora esta bem, quente, cheia de amor para dar. Outra hora esta triste, fria, extremamente solitária.

Mas coitada, ela tem razão para ser assim. Ela esta exatamente no meio das duas estações que são os extremos, Verão e Inverno. É o calor se preparando para tornar-se frio. Uma mudança radical. Não é fácil. Ela experimenta as temperaturas, sem conseguir o equilíbrio. Não é como a Primavera, que é uma estação totalmente equilibrada. Tanto que é a estação das flores e do acasalamento.

Outono representa a mente criativa. Cheia de turbulências, fragmentos do passado e pensamentos futurísticos. Outono está muito além do presente.

Outono não quer ser Primavera, equilibrada… E nem fica parada esperando o Inverno chegar.

Faça sol ou faça chuva, Outono busca sua própria identidade.


Publicado em Diário, Pensando e Escrevendo

Não faço parte dessa Zona!

Esse fim de semana teve um evento no Parque Laje chamado ‘Verão da Cultura.Urgente. Eu fui hoje, na mesa ‘Cultura, controle e conflito‘, com Jailson de Souza, coordenador do Observatório de Favelas, e Dudu de Morro Agudo, fundador do movimento Enraizados.

Adorei! Dudu falou da dificuldade que teve de fazer cultura na favela. Muito interessante. Jailson me fez pensar quando falou do quanto é errado quando se diz que tem que ocupar o tempo das crianças e adolescentes da favela para não virarem traficantes ou vagabundas. Completou  exemplificando, dizendo que a menina da zona sul que faz bale é para desenvolver o desempenho corporal, e as meninas da favela, para não virarem putas.

Depois que terminou fui lá para a praça, aonde o grupo Crente Crew fazia seu show. Eu estava adorando, até olhar em volta. Homens e mulheres da extrema elite arrogante da Zona Sul. Percebi que 95%  (ou mais) estavam com ar de superiores. Não apenas para o o Crente Crew, mas para todo o evento. Na mesa de debate que fui, eram poucas pessoas, e 95% delas realmente eram gente que faz. Mas lá fora, era a elite se vestindo de gente boa. Na mesma hora que percebi isso, me deu náuseas, vontade de vomitar em cima de todos. Mas em vez disso eu me retirei. Voltei para casa pensando que o evento em si foi valiosíssimo. Mas na minha opinião, errarem na geografia. Acredito que o centro seria uma ótima opção.
O Parque Laje fica no Jardim Botânico. Quem conhece sabe que o nível financeiro (e juntamente o de arrogância) vai aumentando cada vez mais, até chegar ao topo da Zona Sul, o Leblon.

Uma vez li uma crônica que infelizmente não lembro de quem era, que falou que a elite vai ver um filme nacional falando da corrupção e ou da pobreza, e sai do cinema achando que fez sua boa ação do dia. E foi o que senti no evento. Pessoas ali se achando superiores.

Deixando claro que eu moro na Zona Sul, sem nenhum orgulho disso. Moro na zona (com duplo sentido, obvio!), mas não faço parte dela.