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Nem machista, nem feminista. Sou igualitarista!

Acabei de ler uma cronica muito boa de Renata Gervatauskas na revista Época (online). Ela toca um um assunto que sempre que posso ponho em discussão, machismo! E existe uma certa confusão quando digo que sou contra o machismo. Eu preso a igualdade dos sexos. Não tem haver com educação e nem com força física. Puxar uma cadeira, segurar a porta… isso nem de longe é machismo. Sabe o que é machismo? Mulher ganhar menos que o homem fazendo o mesmo trabalho, mulher ser classificada como puta por ter transado com muitos homens (e o inverso é classificado como ‘o cara’), mulher ser chamada de sexo frágil por expressar suas emoções (enquanto os homens para serem homens tem que fingir não ter sentimentos, e quando os tem, não sabem o que fazer com eles, já que nem era para eles existirem, porque é coisa de mulher).
E assim caminha a humanidade.

Mas eu até acho que estamos melhores, ou nenos piores, que uns anos atras. É sério! Mas como toda mudança requer tempo para encontrar seu equilíbrio, estamos numa onda de exageros. Homens sensíveis demais e mulheres duras demais. Mas isso daqui a pouco passa, e acredito que acharemos o equilíbrio para essa questão.
E principalmente, respeitar todos os sexos. 

Hoje, na Visita de Domingo, a publicitária paulistana Renata Gervatauskas conta como e por que se revoltou com a frase de um quase-ficante.

Ele era amigo de uma amiga. Nós havíamos nos encontrado em algumas festas e, quando fui ver, estávamos varando madrugadas em deliciosas conversas online, com direito a brinde virtual (e cerveja de verdade!), muita filosofia de boteco na cama (cada um na sua) e gargalhadas. Logo, já estávamos no SMS, então evoluímos para a ligação telefônica (uau!) e daí pra eu aceitar um jantar foi um pulo.
Sabe aquela pessoa cheia de bagagem? Eram tantas viagens, experiências e histórias interessantes pra contar, que eu jamais imaginei que ele fosse morrer na praia com um comentário tão cru. Força do hábito? Resquício de uma criação fundamentalmente machista? Apenas um deslize inocente, brincadeirinha? Não sei. Só sei que quando eu ouvi dele “Só falta dizer que lava, passa e cozinha bem. Vai ser a mulher perfeita. Aí, eu caso!” foi como se me soasse internamente aquele “PÉÉÉÉÉÉ!”, bem ao estilo campainha de programa de calouros. “Resposta eeeeerrada!”. Não teve jeito. Embora o comentário tenha sido na melhor das intenções, a minha broxada foi instantânea. Ouvir aquilo de um cara maduro, inteligente, atencioso e bem gato foi uma decepção. Ele queria dizer que eu era do tipo “pra casar”, considerando que isso fosse um super elogio, mas aquele comentário tão corriqueiro me desencantou.
Não sei dizer, ao certo, o que mais me desanimou: se foi o “aí, eu caso” ou se foi o lance de querer uma Amélia pra chamar de dele. Não sou contra o casamento, mas “Libertem a noiva!” – na voz da Fernanda Montenegro encarnando Simone de Beauvoir – ecoou na minha mente naquele momento. Sem engolir o desaforo, mas o mais suavemente possível, tentei explicar a ele o quanto aquela colocação havia me desapontado e os meus motivos para isso. Minha reação exagerada pode ter vindo de uma soma de alguns fatores: trauminhas de um ‘quasamento’, influência das minhas últimas leituras de Regina Navarro, uma boa dose de intolerância, tudo junto e misturado. O fato é que, a partir dali, a conversa – que vinha sendo fantástica há algumas semanas – enveredou pra um sem fim de discussões sexistas (ele insistia em se justificar dizendo que “o homem isso”, “a mulher aquilo”) que acabaram por minar qualquer resquício de tesão (mútuo, imagino). Deixamos pra lá. Não o papo, mas a vontade. Antes tivéssemos usado o nosso tempo pra falar de sexo, ou até mesmo pra praticar, sem maiores embates filosóficos.
Lembrei dessa história porque li que, pela primeira vez no Brasil, foi concedido a alguém o direito à licença paternidade de 6 meses. Infelizmente, foi um caso isolado, que só ocorreu porque a mãe da criança faleceu. Mesmo assim, fiquei muito feliz com a notícia. Penso que mora numa futura conquista desse direito o início de uma verdadeira revolução na busca por direitos iguais para homens e mulheres no Brasil.
A gente ainda confunde o instinto materno com a obrigação de cuidar sozinha das crias. Acho que essa “habilidade” que a mulher tem com as crianças vem pura e simplesmente da necessidade. Quem foi que disse que a gente tem mais intimidade com o cocô?! Isso se aprende exercitando, assim como empunhar uma furadeira e fazer um buraco na parede também é uma questão de prática. Imagino que uma licença alternada (os 3 primeiros meses para a mãe, os outros 3 seguintes para o pai) promoveria um contato maior entre pai e filho e, além disso, colocaria, finalmente, mulheres e homens em pé de igualdade, tanto no mercado de trabalho, quanto na divisão das tarefas domésticas. Isso já acontece de forma parecida em alguns países da Europa, como Suécia e Alemanha. Veja aqui. Seria o surgimento de uma nova geração de pais mais presentes e, consequentemente, maridos realmente parceiros. Somente nesses moldes eu consideraria um elogio o termo “essa é pra casar”.

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Se fazendo de surdos

Coisa chata é essa do coração não relevar o que diz a consciência, e vice-versa.

Se fazem de surdos.

Coisa feia!

Os dois agora já para o quarto, e só vão sair de lá depois de um consenso.

Porque no final, quem se fode sou eu!

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Cavando um Buraco

Passei os últimos dias muito frustrada. Planos importantes tiveram que ser adiados, e pontadas emocionais me atingiam. Eu tive cólicas emocionais. Cheguei a tomar Ponstan, mas a medicina ainda não inventou nenhum remédio contra frustração.

Mas achei na internet uma história que me fez repensar e refletir sobre o meu momento. A história chama-se ‘Cavando um Buraco’.

Dois irmãos decidiram cavar um buraco bem profundo atrás de sua casa. Enquanto estavam trabalhando, dois outros meninos pararam por perto para observar.

– O que vocês estão fazendo? – perguntou um dos visitantes.

– Nós estamos cavando um buraco para sair do outro lado da terra! – um dos irmãos respondeu entusiasmado.

Os outros meninos começaram a rir, dizendo aos irmãos que cavar um buraco que atravessasse toda a terra era impossível. Após um longo silêncio, um dos escavadores pegou um frasco completamente cheio de pequenos insetos e pedras valiosas. Ele removeu a tampa e mostrou o maravilhoso conteúdo aos visitantes gozadores.

Então ele disse confiante, – Mesmo que nós não cavemos por completo a terra, olha o que nós encontramos ao longo do caminho! Seu objetivo era por demais ambicioso, mas fez com que escavassem.

E é para isso que servem os objetivos: fazer com que nos movamos em direção de nossas escolhas, ou seja começarmos a escavar! Mas nem todo objetivo será alcançado inteiramente. Nem todo trabalho terminará com sucesso. Nem todo relacionamento resistirá. Nem todo amor durará.

Nem todo esforço será completo. Nem todo sonho será realizado. Mas quando você não atingir o seu alvo, talvez você possa dizer, – Sim, mas vejam o que eu encontrei ao longo do caminho!

Vejam as coisas maravilhosas que surgiram em minha vida porque eu tentei fazer algo! É no trabalho de escavar que a vida é vivida. E, afinal, é a alegria da viagem que realmente importa!

E depois dessa história, lembrei das coisas maravilhosas que aconteceram comigo durante os trajetos de objetivos que não chegaram a ser alcançados. E sorri!

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Sobrevivente de uma civilização extinta

 

 

E vai mais um texto belíssimo de Ana Jácomo, descrevendo muito bem o que pessoas como nós passamos nesse dia a dia…

 

 

Sensibilidade
 

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.

Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.

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Vivo

Depois de vários e  consecutivos dias frustrantes, receber um carinho por email de quem se tem um amor recíproco, realmente não tem preço.
Recebi um poema que confesso, me fez chorar. Chorei por tudo que estou passando, e chorei pelo carinho que senti em apenas um email. O amor tem dessas coisas.

Compartilho com vocês o poema, que a autoria não sei bem ao certo de quem é. Acho que é de Milton Santos, mas não tenho certeza. Quem souber o autor, favor me informar que coloco a devida assinatura.

Vivo uma ilusão que se perde no vento
Vivo uma paixão que só me trás tormento
Vivo em uma eterna rota de colisão
Vivo… Vivo… A vida

Vivo sonhando com a amada
Vivo amando as pessoas erradas
Vivo seguindo o meu coração
O que é a vida senão a paixão

Vivo a mais trágica poesia
Vivo envolto na fantasia
Vivo… Essa eterna agonia
Vivo tudo que nos faz viver
Vivo fazendo bem o que me faz bem
Vivo sempre esperando ser feliz
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O valor do Romance

Hoje é dia dos namorados em muitos países. Dia de São Valentim. Lembrando que não se tem certeza da existência desse santo. Em uma reportagem da Folha, diz que existem pelo menos três santos com nome de Valentim: dois bispos sepultados em diferentes locais da Via Flamínia, em Roma, e um terceiro que teria sido torturado e morto na África.

A lenda:

Entre as muitas lendas que surgiram ao longo dos séculos, destaca-se uma segundo a qual Valentim teria sido um sacerdote cristão detido e torturado até a morte em 270 d. C. por ordem do imperador romano Claudio 2º. Segundo essa história, transmitida oralmente e sobre a qual não há nenhum testemunho, o sacerdote se apaixonou perdidamente pela filha de um de seus carcereiros, a quem enviou uma carta apaixonada que assinou como “teu Valentim”, dando origem à tradição das cartas que em muitos países os namorados trocam em 14 de fevereiro.

Aqui no Brasil, dia dos namorados é comemorado dia 12 de junho, dia do Santo Antônio.

Bom, seja qual for a verdade sobre Valentim, hoje comemora-se o amor, a paixão, o romance. E quero dar parabéns aos poucos que sabem o real significado do namoro. Namoro, e não essa bagunça que é vivenciada nos dias atuais. O que nada mais é o reflexo do que se tem dentro da própria casa. Quem aprende dentro de casa a responsabilidade do envolvimento com o outro, leva isso para a vida. Quem assiste dentro de casa a falta de respeito do casal base, ou mesmo o silêncio e a ausência de romance, levará para seus próprios relacionamentos exatamente o que vê. Poucos que fogem a essa regra. Esses, descobrem o romance muito tempo depois, quando a falta do mesmo já foi passada para frente.

Se você que esta casado com uma pessoa e não é feliz, e coloca a responsabilidade nos seus filhos por sua falta de coragem em uma separação, saiba que o que esta sendo ensinado é a infelicidade e não a felicidade. Engana-se quem acredita que os filhos não sabem da infelicidade dos pais. Seja qual for a idade, eles sabem!

Então, meus parabéns aos verdadeiros namorados. Aqueles que passam para frente o que lhes foi ensinado, e aqueles que aprenderam de outra forma o valor de um romance.

Happy Valentine’s Day!

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Frase da Vez – 34

 

 

O autoconhecimento tira uma máscara que nem você mesmo sabia que existia. Seu escudo superficial é destruído, e quando você acha que esta vulnerável sem ele, você descobre que a sua real força estava ali o tempo todo, escondida atrás de algo inventado pelo medo.

(Ana Paula Fernandes Ventura)