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Fábula do Lobo Traficante

Eu lembro, na minha 8ª série, ler um texto muito bom do livro de português “Reflexão e Ação em Língua Portuguesa” de Marilda Prates. Confesso que não refleti seriamente sobre o assunto na época. Eu só fui fazer uma reflexão anos depois, em um dia de arrumação geral de livros escolares. Estava definindo os livros que ficariam e os que mandaria para os sebos. Peguei esse livro e ao abrir aleatoriamente, caiu nessa fábula. Reli com outra maturidade e com outras emoções.
Aqui, de nada adianta eu colocar a minha reflexão sobre. Prefiro que faça você, sua própria reflexão.

A Fábula do Lobo Traficante

A sociedade dos cordeiros condenou aquele lobo a 20 anos de prisão. Era terrível o seu crime: tráfico de entorpecentes. Por sua causa, milhares de cordeirinhos destruíram suas vidas. O lobo era o inimigo público número 1.
Vinte anos depois, apesar desse e de outros lobos traficantes terem sido presos, a sociedade dos cordeiros estava mergulhada no vício. Era um problema de segurança nacional. Talvez por isso, um repórter resolveu entrevistar aquele lobo à saída da penitenciária. Estaria ele arrependido? Teria consciência do que provocara? Sentia-se injustiçado?
Afinal, a sociedade dos cordeiros cumpria, rigorosamente, a Lei. Só que alguma coisa estava errada. Lobos traficantes eram presos todos os dias, enquanto aumentava o consumo de tóxico. Qual a opinião de um lobo que pagou 20 anos por um dos piores crimes contra a humanidade?
– Você quer mesmo saber? – foi logo falando o lobo – O problema não se restringe a mim nem aos que me seguiram nessa profissão. Eu cometi parte do crime, reconheço, comercializando um produto proibido.
– E quem cometeu a outra parte? – indagou o repórter, ele próprio irritado com a desfaçatez do lobo.
– Ora, a sociedade dos cordeiros! – afirmou o lobo – Acaso fui eu que provoquei a corrida ao tóxico? Como seria possível eu me tornar um traficante se não houvesse procura do meu produto?
“Isso faz sentido”, pensou o repórter. E arriscou uma outra pergunta:
– Como a sociedade dos cordeiros poderia ter evitado tudo isso?
– Ora, pergunte a ela – respondeu o lobo – Mas dificilmente a sociedade dos cordeiros concordará que tem parte dessa culpa. Para isso, seria necessário que cada cordeiro, em particular, meditasse sobre sua própria vida e o que considera melhor para o seu rebanho. Mas você sabe que meditar, refletir, ponderar e se auto-analisar é muito difícil, quando há tantos lobos à disposição para assumir todas as culpas.
Quando a entrevista com o lobo traficante foi publicada, a sociedade dos cordeiros reagiu: os lobos são criminosos irrecuperáveis, cínicos, arrogantes e diversionistas. Para eles, só mesmo a Pena de Morte.

– Fernando Portela. Gazeta do Povo, Curitiba, 15/03/1984 –

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O sentimento ainda é o mesmo

‎- Escrevi esse poema pensando no meu pai em 03/02/2012. O sentimento ainda é o mesmo. –

Eu queria dizer que aprendi coisas boas com você.
Mas não aprendi.
Eu queria dizer que tenho boas lembranças de você.
Mas não tenho.
Eu queria te chamar de herói.
Mas não chamo.
Eu queria me sentir bem ao seu lado.
Mas não sinto.
Eu queria me orgulhar de você.
Mas não me orgulho.
Eu queria conversar com você.
Mas não converso.
Eu queria querer te abraçar.
Mas não quero.
Eu queria não sentir mágoa.
Mas sinto.
Eu queria não chorar por nós.
Mas choro.

Eu queria te amar.
Mas não amo.

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Estamos Presos

Estamos presos!
Eu, você… Todo mundo que não esta feliz.
Presos porque escolhemos viver mais os nossos defeitos do que as nossas qualidades.
Iluminamos nossa vida de maneira errada.
Defeitos e qualidades todo mundo tem.
Mas sabe quem é realmente feliz?
Aquele que não desiste pelos defeitos.
Pelo contrario!
Ele continua pelas suas qualidades.

Vivemos o que escolhemos.
Sempre!
A escolha sempre é nossa!

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Você deve ter uma câmera fantástica


Um fotógrafo vai à uma festa para VIPs em Nova York. Assim que entra na festa a dona da casa diz:

– Eu amo suas fotos, são lindas. Você deve ter uma câmera fantástica.

E o fotógrafo não falou nada até o jantar terminar de ser servido. Então, o fotógrafo respondeu:

– Foi um jantar maravilhoso. Você deve ter um fogão fantástico!

(Sam Haskins)

 

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Explicando “Coração de Canalha”

Obtive duas respostas muito interessantes do post “Coração de Canalha“, um poema de Kleber Bordinhão.

Uma das respostas foi de um amigo muito querido de Brasília. Achou que foi direcionado para ele, e me mandou um email dizendo que não era canalha.
A outra resposta foi de um cara que saí mês passado. Também achou que foi direcionado a ele. Recebi um torpedo dele ontem, dizendo que meus textos dessa semana tinham deixado claro que eu tinha igualado ele ao último canalha que passou na minha vida.

Nem um, nem outro. Não pensei em nenhum deles. Pensei em outro amigo, que usa um sobrenome de um escritor que ele gosta muito, mas que não o pertence. Ele sim tenho certeza, é um canalha. A certeza vem da própria boca dele. Ele afirma que o é. Quando li o poema, caiu como uma luva no momento atual dele.

O meu amigo de Brasília tem lá suas atitudes não muito corretas, mas canalha é uma palavra exagerada e incompatível para quem ele é.
O cara que saí mês passado… Me intriga ele nem ter cogitado a possibilidade de que eu, simplesmente tivesse direcionado o poema ao ultimo canalha que passou na minha vida. Mas como não tivemos tempo de destrinchar isso, quem sabe depois de uma boa conversa a gente se entenda. Ou não!

Mas fica aqui a explicação aos dois que vestiram a carapuça desnecessariamente.

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Não me vejo

Um passo em sua direção
Um passo longe de mim mesma
E me perco
E fico tão longe
Tão longe
Que não me vejo mais
Se choro
Não é por você
É por não mais conseguir
Me ver
Mas se eu voltar
Para mim
Me perco
De você

Será que você
Não me vê
Porque eu
Não me vejo?

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Reflito, logo…

 

 

Nós, seres humanos, homo sapiens, possuímos a maior dádiva de todas: a capacidade de refletir.

Nenhum outro ser vivo consegue fazer isso.
Refletir vale muito mais que qualquer polegar opositor.

Mas parafraseando a bíblia: “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”

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Coração de Canalha

Coração de canalha
Nada tem de gelo ou fogo
Não é de tijolo, madeira ou palha
É sim um belo tesouro em segredo
Por mais que visto de fora nada valha
Lá dentro do peito de um cafajeste
há uma criança viva e cheia de luz
Que por cuidado, com ferro ele veste
Tem medo que essa caia em desgraça
Seja corrompida pelo amor, essa peste.

(Kleber Bordinhão)

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Fica a Dica – 37

Estou escrevendo um livro, mas ando com dificuldade de continuar.
Assistindo uma entrevista do Jô Soares ao Roda Viva, ele conta uma dica que Rubem Fonseca deu a ele sobre isso:

“Aprendi com o Rubem Fonseca que todo dia você tem que abrir seu texto, nem que seja para colocar uma vírgula. Mas tem que ser todo dia, não interessa a que horas ou por quanto tempo.”

E fui pensar nisso, e de fato faz muito sentido.
Quando estamos escrevendo um livro, entramos naquela história. Se passamos nem que seja um dia sem ter contato com aquele mundo inventado, a sensação quando tentamos retornar é de que o portal se fechou. Para abri-lo novamente temos que voltar no tempo, relendo e entrando novamente naquele planeta imaginário.

Abrir o livro todo dia faz com que o portal não se feche.

#ficaadica