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Diretora é espancada por um aluno, mas o ibope todo é de um pastor que só representa ovelhas ingênuas

Diretora da Escola Municipal João KopkeEu gostaria muito de saber porque não li nada no Facebook sobre a Diretora da Escola Municipal João Kopke, em Piedade, Rio de Janeiro, espancada por um aluno de 15 anos.

“Ele me deu uma ‘banda’ e um soco. Eu senti o rosto e me encolhi, para o tórax. Pensei que nunca mais acabaria. Sei que ele xingava, mas sou incapaz de lembrar. Era como se eu não escutasse nada. Quando conseguiram tirá-lo de cima de mim, tive medo de levantar, porque ele ainda estava ali, e meu sangue, no chão.”

Como assim ninguém fala sobre isso, e o ibope todo é de um pastor que só representa ovelhas ingênuas, e quem o defende é um outro pastor que veio no mesmo pacote estragado? Claro que temos que reagir ao pastor dos direitos racistas e homofóbicos, digo, dos direitos humanos. Não disse que temos que ignorar. Mas se coloca tanta energia nisso, que não se vê mais nada além.

Finalizo minha tristeza e indignação com a carta escrita pela diretora da escola municipal João Kopke, Leila Soares, em seu Facebook:

Quantas vezes nos indignamos quando sabemos de casos de agressões a colegas, profissionais como nós. Mas não nos indignamos o suficiente por acharmos que ainda está muito distante…
De repente, chega a nós.
O corpo dói. Mas a dor vai passando com gelo, analgésico, remédios…
O coração, este fica tão apertado que parece que sobra espaço em torno dele de tão pequeno. Este espaço é preenchido com dor. Que não tem remédio.
A alma fica endurecida. Parece que sai do nosso corpo…
A pele dói. O sangue circula doendo. Os membros movem-se doendo.
Perdemos o chão. Não temos onde nos agarrar.
Só o carinho dos amigos (conhecidos ou não) é que nos conforta.
Sofremos nós, nossos parentes, nossos amigos, nossos companheiros.
Sofre uma sociedade inteira que vive temerosa porque não temos quem nos proteja.
O agressor sai de cabeça erguida, olhando para trás e rindo.
Não só do agredido, mas de cada um de nós.
Ri daquele que foi empurrado, xingado, ameaçado, chutado, socado.
Ri daquele que o tirou e tentou mostrá-lo o erro.
Ri do erro…
Ri de quem não deveria mais permitir o erro.
Ri da sociedade que fica refém enquanto ele continuará empurrando, xingando, ameaçando, chutando, socando…
Ri do sangue que escorreu, do rosto que machucou, da alma que feriu.
Apenas sai, impune, e olha para trás, e ri.
Para mais adiante deixar refém mais muitos.
Quem somos nós, Educadores?
Pois eu sei quem somos nós:
Somos aqueles de quem ri o que sai impune, olhando para trás e rindo.
Será que serei só mais uma?
Ou a última?

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A prática mostrando a veracidade da teoria

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Wanessa, Sandy Leah e Junior Lima são a prova de que todas aquelas teorias sobre a importância da família são corretas.

De um lado temos uma família em decadência, aonde o pai afirma ter traído a mãe muitas vezes, a mãe afirma querer pegar geral vivendo de plásticas, e até o tio vai parar no hospital por abusar de drogas controladas para perder peso, e logo depois tem um acesso de raiva em um show com um dos fãs. Essas noticias fazem muito mais sucesso que suas próprias músicas.
Assim, a filha só poderia querer fazer músicas blasés mostrando as pernas o tempo todo. Se fizesse diferente sairia da regra. Mas ela nem de longe é uma exceção.

Já por outro lado temos uma família centrada, artistas de verdade, tranquilos, sem nunca terem saído em qualquer notícia escrota em nenhum tabloide de fofoca, muito pelo contrário, sempre mostrando respeito e liberdade uns pelos outros.
Assim, os filhos só poderiam fazer música de real qualidade, com emoção e sensibilidade, sem precisar mostrar nenhuma parte do corpo para desfocar a falta de talento.

É a prática mostrando a veracidade da teoria.

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Pelos Direitos dos Meninos

Texto de Sílvia Amélia de Araújo

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imagem: Filme Meninos de Kichute

 Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.

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Pronto, Falei! – 12

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Um povo que tem 0% de analfabetos, valoriza aquele um que fez a diferença para sempre.

Aqui no Brasil, com seus 16 milhões de analfabetos, se Dilma morre, o cortejo fúnebre seria Ivete Sangalo e Claudia Leite juntas, cantando Jesus Cristo eu estou aqui!

 

#prontofalei

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Meu desejo para Copa

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Desejo muito, mas muito mesmo, que chova na Copa. Não precisa ser muito, porque isso afetará o lado fraco da situação. Quero que chova para que aconteça o que aconteceu ontem no Rio de Janeiro. E ai sim, os turistas vão ter uma pequena ideia da imundice que realmente esta essa cidade, que era linda, mas hoje é muito menos.

O Rio de Janeiro vive de maquiagens. Mas esquece que maquiagem sai na água.

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Isso não é um texto. É um desabafo.

vai-um-copo_largeAcho que encontrei a resposta para o  meu mau humor. Meus amigos sabem, de uns meses (muitos meses) para cá, ando bem mau humorada. E acho que descobri o motivo.

Eu antes era (e ainda sou, eu acho!) uma criança velha. Não digo imatura porque soa feio, soa preconceituoso e rotulador. Essa afirmação é um xingamento. Pelo menos para mim soa muito pior que qualquer palavrão. Me chame de puta, mas não me chame de imatura. Me ofende.
Ofende porque é muito mais palpável eu ser imatura do que alguém que ganha dinheiro transando (até porque eu dou, e o que é dado não é cobrado).

Como eu era uma criança velha, eu sempre via as coisas por um lado só. O lado bom. Sempre guardei comigo a inocência de uma criança. Mas a criança cresceu, e por um bom tempo jogavam na minha cara o lado ruim das coisas. Mas a minha inocência era muito, muito forte. Era meu escudo. Envelheci e continuava inocente.

Mas teve um dia, eu não lembro quando, que o escudo da inocência começou a ficar muito pesado. E foi ali que perdi o sorriso lindo que eu tinha. Pode reparar. Vá no meu álbum no facebook e você perceberá uma diferença enorme nos meus sorrisos de uns 2 anos para cá. Tanto que eu adorava tirar fotos. E mais, adora sair nelas. Hoje, eu fujo delas. Simplesmente porque não consigo mais sorrir como antes.

Eu sou muito exagerada. Quem me conhece sabe que novela mexicana é fichinha comigo. Eu sou dos extremos. Então, se antes eu só via o lado positivo das coisas, hoje eu só vejo o lado negativo das mesmas.

Antes o copo sempre estava meio cheio. Hoje sempre esta meio vazio.

E sei que a psicanálise ajudou muito para que esse mau humor aumentasse. Isso porque a cada vez que deito no divã, vejo algo novo em mim. E me assusto. A criança velha se apavora. Eu chego a ficar sem ar de tanto pavor. Mas depois passa. É só o susto do desconhecido. E pior do que o susto, é reconhecer que aquilo que me apavorou era eu mesma.

Então, o meu mau humor é de dentro para fora, e não o inverso.

Hoje, luto para perceber que o  copo não esta meio cheio e nem meio vazio. Simplesmente o copo não existe.

 

Ps: Isso não é um texto. É um desabafo.

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Amar é…

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A gente só sabe se ama mesmo uma pessoa, brigando com ela. Só quando a gente quer cortar a pessoa em vários pedacinhos que percebemos a força do amor. Porque ele vai muito além de mover montanhas.

Amar é não cometer crimes hediondos.