Publicado em Diário, Escrevendo, Feminismo, Machismo, Pensando e Escrevendo, Poliamor, Sentindo e Escrevendo

Precisamos falar sobre Unicornização

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Vamos falar falar sobre unicornização?

Vamoooos!!!

Não sei se todos sabem o que é, então segue aqui uma explicação muito boa do blog PoliamorEtc:

“A opressão mais conhecida e praticada por muitos casais que se consideram poliamoristas é a busca por um “unicórnio”, que é a mulher bissexual que se sinta atraída pelo casal, mas que fica longe de qualquer porção de convívio social do casal em questão, porque o casal tem uma vida própria, eventos em família, com amigos, às vezes com filhos. O termo “unicórnio” vem justamente da ideia de caçar algo raro (a mulher bissexual que se sujeite a esses termos de relacionamento), que vai ficar de souvenir, para pura apreciação de quem a “possui”. A “unicornização” é, então, o processo de busca ou de submissão da mulher a tais condições.”

Também gostaria de relatar aqui que eu já fui unicornizada algumas vezes, e uma delas por um casal de lésbicas, que estavam em um relacionamento monogâmico longo e que queriam abrir a relação. Porém, essa terceira pessoa teria que gostar das duas.
Quando comecei a conversar com elas eu não tinha conhecimento do termo unicornização. Mas quanto mais eu conversava com elas, mais o meu desconforto aumentava.
Percebi que elas se viam como uma unidade e não como pessoas independentes. Também percebi o medo das duas de se individualizarem naquele momento de inicio de abertura da relação. Cheguei a falar sobre isso com elas no grupo de whatsapp feito para nós três conversamos. Uma delas estava mais aberta a essa escuta, me deu razão e queria falar mais sobre o assunto. Porém, a outra não concordou comigo e se sentiu ofendida. Chegou a me acusar de que eu não era pansexual porque saio mais com homens do que com mulheres (e essa problemática cabe um outro texto, mas vamos focar na unicornização primeiro. Outra hora escrevo sobre isso). Diante disso, a que concordou comigo se calou.
Depois de eu ter exposto para elas esse meu desconforto da não independência delas, elas (elas vírgula. Na verdade a fala sobre o que era e o que não era a relação delas foi da que se sentiu ofendida com a minha fala) falaram que eu estava entendendo errado, que elas queriam um trisal, aonde essa terceira mulher se tornasse parte daquele casal. Depois disso eu ainda insisti na minha fala de que pessoas se sentem atraídas por pessoas e não por casais. Não obtive sucesso e parei de falar com elas por motivos óbvios.

Também já tive a situação aonde a mulher só poderia sair comigo na presença do parceiro, mesmo que não rolasse nada entre eu e ele. E isso ainda é unicornização sim!

Gostaria de ressaltar aqui que existem sim casais que NÃO unicornizam a mulher bi/pan. Eu tenho um casal de amigos que conheci no Tinder, e a dinâmica deles era muito madura e com muita responsabilidade afetiva. Eu dei like primeiro nele, aonde no seu perfil ele dizia ter relacionamento livre. Tinha fotos dos dois no perfil dele, mas em nenhum momento existia essa unidade de casal. Caso eu me sentisse atraída por ela e ela por mim, existiria a possibilidade de me relacionar com os dois simultaneamente. Mas são duas pessoas independentes.
Isso muda tudo!

A unicornização é mais uma prova que Poliamor sem feminismo não é possível, e que o conhecimento liberta!

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Sobre Ciúmes

Tem uma psiquiatra, Donatella Marazzit, que estuda a ciência do amor e diz que a explicação biológica do ciúme está na taxa de serotonina no sangue.

Primeiro, vamos entender o que é a serotonina.
Fui perguntar para um amigo meu que é médico sobre a serotonina e me explicar melhor isso para eu entender. A explicação dele foi:

“Serotonina é um neurotransmissor. Uma substância química que leva a informação de um neurônio para o outro.
Ela regula varias sensações, entre elas a dome, temperatura do corpo, cognição e desejo sexual.
O importante é o seguinte:
Ela tem produção lenta, ou seja, não é abundante. Por isso corpo precisa recaptar ela. Quando há problemas na recaptação, os níveis dela caem. E as consequências vem, como a mudança de humor, depressão, agressividade.
Por isso algumas drogas anti depressivas são chamadas de recaptadoras.
Não sei se vc sabe, mas um neurônio não toca fisicamente no outro. Há um espaço nanométrico entre as superfícies, e são os neurotransmissores que fazem a ligação, levando a informação.
Se ele sai de um lado e não é captado do outro, a informação se perde.”

Depois dessa ótima explicação, para mim faz mega sentido a serotonina ter ligação direta com o ciumes.
Isso explica algumas pessoas com pouco ciumes e outras com muito.
A outra questão importante é o patriarcado, como o machismo ensina as pessoas a lidar com isso.
Eu escrevi um texto sobre insegurança feminina, como nós mulheres somos educadas para sermos inseguras e os homens para serem seguros. Escrevi:

“As mulheres são educadas para serem inseguras e os homens para serem seguros. Isso faz parte da naturalização machista. Mulheres são ensinadas que homens são cafajestes por natureza, e os homens são ensinados o mesmo, e assim, tem-se o aval para o serem. Enquanto o homem não pode expor e desenvolver suas emoções, mulheres são motivadas a se expor e desenvolver suas emoções. Enquanto as mulheres são ensinadas a fechar a perna, os homens são ensinados que enquanto não metem seus objetos fálicos em uma cavidade sexual feminina não são homens de verdade.”

Então, não é apenas uma explicação científica, mas também social. É o “como somos ensinadas a lidar com a serotonina em nosso corpo.”

Entender isso faz parte de um processo de desconstrução da forma como lidamos com o que sentimos.

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Meu Cabelo Minhas Regras

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Lembro quando cortei pela primeira vez o meu cabelo e a reação da maiorias das pessoas foi: “Mas seu cabelo era tão bonito!”, ou “Mas ele era tão bom!”. Olha só, meu cabelo continua sendo bonito, só que curto.

Eu tenho muito orgulho do meu cabelo curto, principalmente pq sou EU que corto.
99,9% das pessoas com quem eu falava em cortar meu cabelo tinham reações como se eu tivesse perguntando “Acho que vou bater na cabeça de uma criança até o cérebro dela sair. O que vc acha?”.

Lembro que meu primeiro namorado me AMEAÇAVA dizendo que ia terminar o namoro se eu cortasse meu cabelo. Mas aí é como aquela #:
#MasEleNuncaMeBateu.

Cortar meu cabelo hoje é #empoderamento do meu corpo. Uma das melhores sensações pra mim é quando corto o cabelo no banho. 😍

Quando eu falo de empoderamento, falo de como cabelo é algo extremamente machista. Cabelo é a simbolização da feminilidade.
Um ótimo exemplo atual: homens de cabelo longo (coque samurai) viraram o padrão de beleza. Os ditos pró-feministas e socialistas, que em teoria seriam mais SENSÍVEIS, tem esse biotipo na atualidade.
Quer um exemplo mais antigo? Sansão. Sua força e VIRILIDADE estavam no cabelo.
Então, quem diz que gosta mais de cabelo longo e que gosto é que nem cu e não se discute… GOSTO SE DISCUTE SIM!

Que nossos cabelos deixem de ser do mundo e sejam nossos.
Que sejam a representação do que somos, do que queremos ser e de como queremos mostrar isso ao mundo.

#MeuCorpoMinhasRegras

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A importância de nomenclaturar as coisas

Eu saí a algumas semanas com um cara que veio argumentar comigo que eu fico rotulando muito as coisas.

Eu já estava tete a tete com ele e já tinha bebido 2 cervas (sou fraca, 2 eu já fico lokona). Fui pra casa, dormi e acordei pensando nisso.

O cara é branco, cis, hétero, monogâmico, alossexual, corpo sarado e morador da zona sul do Rio. É o padrão em formato de ser humano.
O cara nasceu na bolha de representatividade. Para onde ele olha se vê representado. Ele não faz ideia do que é não ver representatividade, se sentir perdido perante quem você é. Quem não é padrão se sente tão sozinho que parece que nem existimos. Somos invisíveis.

Quando a gente lê e ou escuta alguma definição que nos cabe, a sensação é de acolhimento, de um abraço demorado seguido de um “você não está sozinha”.
Ele nunca na vida vai entender a importância disso, então pra ele é mole dizer “no more rótulos”.

Amigo, você é padrão, você tem 100% de representatividade, você é o rótulo em formato humano, você nasceu achado.

Então, na minha opinião seguida da minha vivência, eu acho definições muitíssimo importante diante do mundo que só existe para quem é padrão.

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O Patriarcado é Estrutural

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Quando a gente fala que no meio não monogâmico a gente tem que tomar 10x mais cuidado, é disso aqui que estamos falando.

Eu conheci esse cara ano passado em uma uma festa não monogâmica, rolou uns 2 ou 3 beijos e só. Depois nunca mais.
Ontem ele me achou aqui no Facebook e veio conversar comigo. Tivemos 30 minutos de conversa aonde ele me questionou se swing era um tipo de relacionamento não monogâmico.
Oi?!
 
Expliquei que não, e logo depois ele fez esse questionamento aí no print.
 
O patriarcado ensina aos homens que eles tem que transar com muitas mulheres, e que esse número sempre tem que ser maior que dos amigos.
 
Um mini flashback:
 
Eu, meu primo, amigo do meu primo e meu pai sentados na sala e meu primo todo feliz e orgulhoso conta que naquele dia iria sair com os amigos para comemorar a 100º mulher que ele comeu.
Os homens riem e o parabenizam. Eu fico com cara de bunda e questiono se fosse eu indo comemorar com as amigas o 100º cara que dei.
Fez-se o coro dos homens: é totalmente diferente. Você é mulher.
 
Fim do mini flashback.
 
É estrutural. E se não o fosse não teria a força que tem.
 
Quando o cara conhece uma mulher bem resolvida sexualmente (o que é uma premissa de mulheres não monogâmicas), eles naturalizam esse tipo de questionamento abusivo.
 
Acha que foi a primeira vez que me perguntaram isso?
Não foi a primeira e tenho certeza absoluta que não vai ser a última.
 
A resposta que recebi dele foi um bloqueio.
 
E vai ter aqueles que vão argumentar que fui grossa.
 
Queria avisar a quem argumentar com isso que eu fui delicada até demais. Fui uma flor se quer saber.
 
Manas, não naturalizem esse tipo de questionamento de quem não tem intimidade com você.
 
As manas que quiserem saber quem é, me pedir em off que mando o print com nome e foto.

 

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Sobre Responsabilidade Afetiva

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O que eu entendo sobre responsabilidade afetiva não tem só a ver com relacionamentos amorosos e nem apenas com o outro ser humano.

Temos a máxima do pequeno príncipe:
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Mas acredito que também tem a ver com os nossos próprios sentimentos. Ter responsabilidade afetiva com o outro e com nós mesmos.

Então, partindo desse princípio, responsabilidade afetiva tem a ver com honestidade e clareza.

Na prática, creio que tem perguntas que devemos fazer ao outro e a nós mesmos frequentemente:

  • Você está bem?
    Eu estou bem?
  • Você está confortável com essa minha atitude?
    Eu estou confortável com essa atitude da pessoa?
  • Como você está depois que fiz tal coisa?
    Como estou depois que a pessoa fez tal coisa?
  • Como podemos fazer você ficar confortável?
    Como podemos fazer eu ficar confortável?

E essas questões devem ser externadas. (até porque ninguém tem bola de cristal, né mores!)

Sendo assim, quando se fala que no término precisa de responsabilidade afetiva, na verdade é uma construção. Se não teve responsabilidade afetiva no término, é que em algum momento ela se perdeu na relação.
Ou nem se quer foi construída.
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Sobre Machismo e Relações Não Monogâmicas

Acabei de ler o texto Precisamos falar sobre machismo nas relações e ambientes não monogâmicos, e pqp… que texto maravilhoso!

Esse texto me fez lembrar do meu primeiro namoro não monogâmico, aonde eu achava que ele era o foda do foda do foda da desconstrução.
Eu não tinha nem metade do conhecimento que tenho hoje sobre feminismo, e por ignorância acabei colocando ele em um altar do rei da desconstrução.
Foi a outra namorada voltar de viagem que o rei ficou sem calças e a cueca suja veio a tona.

Eu fui massacrada por privilégios e não fazia ideia de como lidar com aquilo. Fui responsabilizada por mentiras e omissões (não queria te magoar e você não iria lidar bem com a verdade).

Meses depois do término, nos encontramos para tentar ter uma conversa e reatar uma amizade. Ele foi muito, muito, mas muito frio comigo. Foi um dos piores encontros da minha vida, aonde estava tete a tete com um cara que namorei, que tinha muita intimidade, mas que naquele momento toda a história que vivemos tivesse sido deletada.
Eu, muito magoada ainda, perguntei para ele de forma bem direta: como faço para superar essa merda toda?
Ele, super frio, disse: aceita que eu preferi ela.

Eu voltei para casa aos prantos naquele dia. E agora, escrevendo isso, depois de 10 meses do término, a vontade de chorar ainda existe.

Mas sou resiliente, e como a Pablo Vittar canta:

E quanto mais dor recebo
Mais percebo que eu sou
Indestrutível