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Um Rapaz Ótimo Por Natália Martins

 

Ele é um rapaz ótimo. Juro, vocês não vão nem acreditar. Faz publicidade, gosta de viajar, não tem vícios. Minha mãe o adora. É muito carinhoso, só um pouco ciumento. Me deu flores no nosso aniversário de namoro. Curtimos o show de Los Hermanos grudadinhos, aquela barba me fazendo cócegas na nuca. Ninguém é perfeito, né? Ele só não saiu daquele grupo de putaria do whatsapp por causa dos brothers. Coisa de homem. Mas é um cara ótimo. Seria incapaz de levantar a mão pra mim – totalmente diferente do meu ex escroto. Esse não, ele é ótimo. Aproveitamos uma promoção da CVC e vamos passar as férias em gramado. Tirando aquele episódio em que ele disse que minha melhor amiga é uma vagabunda, não teve mais erro algum. Mas é que eles ainda não se conhecem muito bem, ela é super implicante. Até porque ele é ótimo. Curte Game of Thrones, me chama pra assistir na casa dele. Claro que a gente transa, boba. E a foda é ótima, que nem o dito cujo. Quer dizer, ele não curte fazer oral em mim, mas eu respeito. Buceta tem um cheirinho estranho mesmo, imagina o gosto? Ele é óóóótimo! De esquerda. Super a favor dos direitos das mulheres, cotas, legalização da maconha. Seu discurso firme me passa segurança. A gente conversa direto sobre isso. Quer dizer, ele conversa, né? Sou meio por fora, se abro a boca acabo falando bobagem. Ele sempre ri do que eu digo e explica aquilo que não consigo entender sozinha. Todo dia nós nos falamos por mensagem. Ele se preocupa, pergunta como eu tô, conta do dia dele. Acho surreal. Já viu algum homem fazer isso? Eu também não. Às vezes dá uma sumida, vai pro bar com os amigos sem avisar. Eu tenho ansiedade e fico morrendo de preocupação, mas paciência. Ele não entende muito meu transtorno. Diz que é frescura, que sou imediatista e quero chamar atenção. Relaxa, já mandei uns artigos do Buzzfeed pra ele ler, acho que é questão de tempo pra melhorar. Já mencionei que ele é ótimo? Avisa se minha maquiagem está exagerada e tudo. Sai com amigos gays, sem preconceito nenhum. Cabeça abertíssima. E tem um fogo! Não aceita um não na cama. Fico sem jeito pra algumas coisas, mas fetiche é fetiche. E ele é tão ótimo que eu preciso recompensar todo o cuidado que recebo. Juntos fazemos planos pro futuro. Ele quer ter 2 filhos: primeiro o menino, que é pra cuidar da caçula. E disse que vai se esforçar ao máximo pra que eu possa ficar em casa com as crianças. Tem que ser, né? Imagine como seria pra mim administrar carreira, prole e ainda me fazer presente na cama? Ainda bem que ele pensa na mulher. Se eu quero? Ah, sei lá. Acho que o caminho é esse aí mesmo. Ele é ótimo. Não dirige bêbado. Sim, já ficou com outra, só uma vez. Tava muito louco em uma festa, acabei perdoando. Essas coisas acontecem, nada demais. Já superei coisa bem pior vinda de homem. Estamos até pensando em aderir o amor livre, ele disse que é mega saudável. Vamo que vamo. O que importa é que eu estou finalmente em um relacionamento saudável. Ele seria incapaz de levantar a mão pra mim. É mesmo um rapaz ótimo.

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POLIAMOR E FEMINISMO Por Sharlenn Carvalho

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O Poliamor deve ser entendido como um modelo de relacionamento que viabiliza a libertação sexual e afetiva da mulher, uma vez que abre espaço para que esta alcance as mesmas possibilidades que os homens usufruem – em privilégio – há milênios. Nesse sentido, é importante destacar que mesmo que o Poliamor afirme a não exclusividade afetiva e sexual a partir da igualdade e da consensualidade entre as partes, muitos homens ainda insistem em consolidar a exploração e a submissão das mulheres nesse modelo de relacionamento não monogâmico que historicamente autointitula-se responsável.

Assim, na prática, o que muito se vê são homens que procuram legitimar socialmente a “traição”, a falta de compromisso e de cuidado com suas parceiras subvertendo o poliamor em “liberdade para ELE fazer o que quiser, com quem quiser e da forma que desejar.” As mulheres, por sua vez, devido à cultura patriarcal e machista em que foram educadas e nas quais suas subjetividades foram moldadas, ainda encontram dificuldade em construir uma autonomia individual que lhes permita a necessária independência psicológica e afetiva da figura masculina. Portanto, elas continuam reprimidas em seus desejos e afetos, porém agora também se sentem coagidas a aceitar (sob pena de serem julgadas imaturas, “loucas ciumentas”, caretas) que seu parceiro saia e se relacione com quantas pessoas quiser, na hora e da forma que lhe for conveniente.

O diagnóstico dessas realidades torna ainda mais imprescindível a consolidação da luta pelo feminismo vinculada à vivência do Poliamor. Não é imaginável uma relação poliamorosa não opressiva sem que os homens reconheçam seu privilégio histórico, seu machismo cotidiano e se proponham à desconstrução de tais heranças de gênero. No ponto em que estamos, talvez a melhor proposta nem deva ser a de igualdade entre homens e mulheres, mas da ascensão da mulher, da edificação de sua autonomia, pois para uma igualdade de fato, o processo de construção das subjetividades e de alcance material também deve coincidir. Desse modo, enquanto não avançarmos socialmente para uma equidade de gêneros desde a infância, não faz sentido esperar que homens e mulheres sejam afetados da mesma forma pelas questões da não exclusividade, nem que reajam do mesmo modo a estas. É visível que, em sua grande maioria, o ciúmes do homem é vinculado ao sentimento de posse que este tem sobre a mulher, enquanto o ciúmes feminino é identificado como o medo de não ser boa o suficiente, ser comparada e assim perder lugar na vida do parceiro amoroso. Tal fato é demonstrado em estatísticas que afirmam que o ciúmes do homem é, sobretudo, sexual e o da mulher, afetivo. O homem se vê ofendido em seu orgulho quando outro homem toca o corpo de “SUA” mulher (nota-se que raramente isso acontece quando se trata de outra mulher), a mulher sente angústia, medo de ser trocada por outra e se ver novamente sozinha.

A questão da insegurança também segue por caminhos diferentes quando comparamos gêneros. A insegurança masculina por vezes representa o receio de se sentir humilhado por não ser “homem suficiente” , de perder a posse que conquistou. O homem precisa provar o tempo todo para si mesmo e para a sociedade que é dominador, conquistador, viril, por isso ser trocado por outro homem – e, agora sim, também por uma mulher – é um soco no ego, é humilhante. De forma inversa, a mulher aprende desde a tenra infância, influenciada pela idealização do amor romântico presente na sociedade e pelos interesses capitalistas que sua vida só será feliz e completa ao lado de um homem, de preferência, constituindo uma família. Nesse sentido, são inúmeras as mulheres que se sentem “vazias” e sozinhas quando não estão em um relacionamento sexual/afetivo estável, mesmo com uma carreira próspera, independência financeira, amigos, hobbies, etc. Assim, a insegurança feminina advém do receio de desamparo emocional.

Obviamente existem exceções, homens que se formaram mais sensíveis e “femininos” e compartilham dos mesmos temores que as mulheres e mulheres que internalizaram no decorrer da vida mais valores tidos como “masculinos”. Contudo, estamos tratando aqui da regra, da forma geral em que os gêneros se apresentam na nossa sociedade e, portanto, cabe a defesa de que devemos buscar ações práticas distintas quando estamos falando de relacionamentos héteros. Portanto ciúmes e insegurança precisam ser encarados de formas diferentes entre homens e mulheres.

Esse é um ponto polêmico, pois conceituamos o Poliamor como um modelo de relacionamento de não exclusividade afetiva/sexual que se fundamenta na consensualidade e na IGUALDADE. Mas será que podemos mesmo falar de igualdade em relacionamentos que se dão entre oprimidos e opressores? Se toda a construção de homens e mulheres se deu por caminhos distintos, é plausível simplesmente igualarmos as ações sem levar em conta as diferenças nas subjetividades? Negros e brancos, heteros e GLBTs, pessoas de classes econômicas diferentes, homens e mulheres possuem as mesmas possibilidades econômicas, sociais, relacionais? Tiveram a mesma base, as mesmas vivências, as mesmas possibilidades? Se a resposta for não, será que não hipócrita que os grupos que sempre detiveram os privilégios possam falar, quando lhes convém, de igualdade?

Voltando ao âmbito dos relacionamentos amorosos/sexuais, será benéfico que os acordos nos relacionamentos héteros valham de forma “igualitária” para todas as partes? Se um homem possessivo impõe uma regra restritiva à sua parceira, como por exemplo só se relacionar com outras meninas ou com quem ele escolher ou na presença dele, etc., ele está usando o acordo para a busca de autonomia de ambos ou apenas se valendo do seus privilégios de sempre? Por outro lado, se o homem é quem exige não ter acordo restritivo algum, pois não quer ter limitações em seus desejos, mas a parceira ainda sofre com os valores mononormativos de ciúmes e insegurança (leia-se aqui, medo da rejeição e abandono), é razoável exigir que essa mulher se vire sozinha para dar conta de sentimentos e valores que a sociedade levou uma vida inteira lhe incutindo? Não parece que de uma forma ou de outra, é sempre a vontade dos homens que prevalece?

Como já exposto em texto anterior (https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1349330785102142&id=1021219041246653), os acordos tomados no seio das relações poliamorosas deveriam contribuir para a mútua autonomia individual, ou seja, o ideal seria a construção conjunta da autonomia de cada um, mas como será possível que a mulher conquiste sua autonomia se tais acordos não levarem em conta os privilégios dos homens (e também dos brancos, dos héteros, dos cis, dos economicamente favorecidos)?

E é através dessa problematização que percebe-se a importância da defesa de que os acordos busquem dar conta das necessidades e limites prioritariamente das MULHERES com vistas a alcançar a autonomia feminina (ser capaz de gerir ao máximo todos os aspectos de sua vida) para que, POSTERIORMENTE, se possa falar efetivamente em igualdade. Nesse sentido, é pedido aos homens, a partir do reconhecimento de seus privilégios (inclusive o privilégio de ter sido criado para ser autônomo), a desconstrução contínua do machismo e o apoio para a consolidação da autonomia feminina.

Por fim, é imprescindível afirmar novamente que, se o Poliamor não estiver a serviço da libertação sexual e afetiva da mulher, ele perde todo o sentido de ser entendido como não monogamia responsável e talvez não se diferencie muito da monogamia que historicamente sempre serviu aos interesses do patriarcado e onde a não-exclusividade afetiva e sexual masculina é aceita e a da mulher, punida (não raro com morte).

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Lacrações No Facebook #5

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Todo dia um caso de abuso contra mulheres onde o abusador é fotógrafo.
Todo dia no feed tem:
– prints de propostas irrecusáveis de ensaio de nu “artístico” que as minas recebem no inbox, no whats, no app de paquera
– notícia de fotógrafo abusando sexualmente
– notícia de fotógrafo agredindo alguma mina
– foto-onanistas divulgando seus “lindos” trabalhos com nu

Se você, mina, tem vontade de ter um ensaio nu, procure outra mina. Evite ao máximo fechar esses trampos com homens. Se você recebeu uma dessas “propostas”, printe e exponha mesmo.
E vc, dizinfiliz-fio-do-cunha, que teve a fantástica ideia de ensaios nu (aka ver as mina pelada e tentar “algo mais”) e quer sair abordando as minas, esqueça.

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Lacrações No Facebook #4

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Algumas (só algumas) verdades sexuais que você não tem coragem de se dizer, porque internalizou que precisa mantê-lo satisfeito pra que ele não se afaste, mas eu tô aqui pra te lembrar:

– O sexo não acaba quando o cara goza;
– O sexo não gira em torno do pau dele;
– Você não precisa fazer o que não gosta pra agradá-lo;
– Você não necessariamente é uma mulher livre e bem resolvida só porque topa fazer de tudo;
– Você não é obrigada a abrir a relação;
– Será que você curte mesmo violência ou está condicionada?
– Filme pornô não é referência pra sua intimidade;
– Você não precisa transar no primeiro encontro porque isso é garantia de continuidade, sinal de maturidade ou qualquer outra coisa;
– Você não é obrigada a ser amigável quando for abordada de maneira que te incomoda, seja na internet ou na rua, seja por alguém que conhece ou por um completo desconhecido;
– Você não precisa transar só porque já está ali;
– Não precisa ter penetração, caso você não queira;
– Você não precisa ficar inerte, esperando ele desistir de fazer o que está fazendo só porque não está sendo tão bom;
– Se estiver se sentindo mal com alguma coisa, pode pegar suas coisas e ir embora, sim, ou pedir pra que ele vá;
– Demonstre o que te dá prazer ou diga com todas as letras, se achar melhor. É importante também pra que perceba se ele está se recusando a te dar prazer;
– Você não precisa ter um corpo dentro dos padrões para merecer viver sua sexualidade ou afetividade;
– Você não vai ficar condenada à solidão por dizer “não” a uma oportunidade de transar ou beijar;
– Você não precisa ficar sexualmente à disposição do seu ex, esperando que isso represente um retorno;
– Você não precisa transar só pra não se sentir sozinha, nem ir à caça na noite apenas por autoafirmação. Sua autoestima pode ser trabalhada em você mesma, sem passar pela aceitação masculina;
– Tem fetiche que coloca nossa vida em risco ou gera consequências com as quais teremos que lidar pra sempre. Não usar camisinha é um deles;
– Se você aceitar ser filmada ou fotografada, por maior que pense ser a relação de confiança, não existe a menor garantia de que amanhã não seja exposta na internet. Há mulheres que já se suicidaram por terem a vida arruinada pela pornografia de vingança;
– Sexo é diálogo, é construção, muitas de nós precisam que passe pela confiança, ninguém tem que estar sempre pronto ou ser performático, devemos reaprender a respeitar nosso tempo e nosso ritmo, tratando com honestidade o que nos faz bem;
– Ele tem o dever de aceitar o seu “não”, não importa o contexto.

Tudo isso é sobre consentimento. Poucas vezes na vida nos orientaram com todas as letras a prestar atenção no que desejamos ou permitimos de fato. A violação do consentimento é o DNA da cultura do estupro.

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Lacrações No Facebook #2

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Ninguém “é” monogâmico, viu amores?

A monogamia não é inerente ao ser, não é dado biológico, ninguém nasce assim. As pessoas são ensinadas desde cedo que é assim que se vive o amor, o Estado só reconhece esse tipo de relação, então “ser” uma pessoa monogâmica é a famigerada construção social.

“Giu, isso significa que qualquer pessoa pode ser não-monogâmica?”

Depende.

Minha avó, de criação católica, mineira, casada há 84 anos? Não! Não existem condições para ela vislumbrar essa possibilidade.

Você, que nasceu com celular na mão num mundo em que mulher já pode se divorciar, num mundo em que o número de divórcios vem aumentando e a duração média de casamentos diminuindo.

Você, que recebe uma enxurrada de textão na cara todo dia, que sabe que a monogamia nasceu junto com a propriedade privada e a sociedade de classes, que manja que em sociedades comunitárias as crias eram da sociedade toda porque não havia núcleo familiar monogâmico.

Você, que acompanha diariamente “crimes passionais” acontecendo, e tem noção de que a monogamia mata mulheres a rodo.

Você não tem empecilho nenhum a não ser sua busca por autoestima, validação e segurança no mito do amor romântico.

E isso, amores, dá pra mudar sim.

Beijo, de nada

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Lacrações No Facebook #1

 

“todo homem já é não-monogâmico”

monte de galera sem noção compartilhando essa frase solta…
gente, sério, ces falam muita merda, E de forma super irresponsável, ainda por cima.

mesmo que seja só dos homens cis que vocês estejam falando:
homens cis são, via de regra,
Violentamente monogâmicos.
em tudo que envolve
a sexualidade de suas companheiras (to falando especialmente dos héteros – mas não se aplica só a eles).

Homens cis são campeões na estatística
de agredir física e verbalmente
suas companheiras
por ciúmes –
ciúmes oriundo de uma lógica de exclusividade
sexual amorosa
que impõem sobre o corpo das mulheres.

O que vocês tão – desonesta e escrotamente – chamando de “não.monogamia”
tem outro nome:
pulada de cerca,
QUEBRA de acordo.

Isso é bem diferente de não-monogamia,
que pressupõe CRIAR acordos
recíprocos e consentidos
entre quem se envolve.

Nas relações sexuais e amorosas
homens cis são campeões
de criar acordos que eles não cumprem – e isso não é arbitrário,
tem a ver com o poder que eles se acham no direito de exercer
sobre o corpo, sobre a sexualidade, e sobre a afetividade
das mulheres.
Criar acordos de exclusividade
que só serve à propriedade DELES sobre o corpo DELAS,
construindo ainda dinâmicas que fragilizam
e destróem a auto-estima:

isso NÃO É (por definição)
qualquer tipo de não-monogamia.
É exercício de poder que funciona
a serviço da própria monogamia.

PAREM DE BANALIZAR a idéia de não-monogamia,
é um desrespeito ESCROTO com quem de fato constrói relações nesses termos.
Não-monogamia pauta a possibilidade
de múltiplos relacionamentos
de forma ABERTA,
RECÍPROCA
e CONSENTIDA – qualquer coisa diferente disso
não é “não-monogamia”,
e sim ABUSO.

E olha que coisa: geralmente isso acontece dentro da monogamia.
Porque a monogamia é a norma pressuposta pela nossa sociedade.
É aquilo que nossa sociedade considera “natural”, que nem precisa ser conversado se é o acordo desejado por ambas as partes.

Então, justamente por ser naturalizada, é a dinâmica de relacionamento onde MENOS se combinam os acordos (já que estão todos pressupostos, por padrão).

relacionamentos não-monogamicos, diferentemente,
quase sempre JÁ IMPLICA a necessidade de conversar e construir acordos. – então a história é outra.

Só sério:
PAREM de confundir as coisas.
Não.monogamia não é “pulada de cerca”.
E se tem uma coisa que homens cis héteros mais têm sido
é possessivos, ciumentos, violentos
focados em manter mulheres
sob âmbitos extremamente pesados de exclusividade afetiva,
enquanto eles
quebram acordos quando querem
porque têm poder pra isso.

Dêem os nomes próprios a esse tipo de abuso,
e parem de viajar.