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Representatividade Importa

Texto de Julia Maciel

Quando o seu corpo, seu cabelo, sua pele sao mostradas na midia/propaganda você se sente cada vez menos mal por estar fora do padrão, pois quanto mais representatividade houver menos o “padrão” é enaltecido.
Percebi isso quando conheci o tumblr no final da adolescência…quanto mais imagens de mulheres gordas eu via, menos eu me sentia mal com minhas pernas, meu braço,minha barriga enquanto quanto mais eu via no Instagram os corpos “perfeitos” das blogueiras e das amigas, mais a celulite incomodava, menos eu queria me olhar no espelho,mais ódio eu nutria pela minha casinha que é meu corpo.

E até hoje percebo isso, se estou vendo feed do Instagram e não tem muita foto de mulheres tipo eu, mais eu me sinto mal, mais culpada me sinto por simplesmente existir gorda.
Quando se escuta desde pequena que a sua imagem é feia ou errada e você tem que mudá-la voce incorpora isso como verdade e nao consegue ver beleza em você, só defeitos.
Mas hoje em dia eu tenho um alarme interno, e quando isso ocorre eu vou ver fotos minhas que gosto, ou vejo tumblrs de looks plus size, ou simplesmente faço o exercício de me olhar no espelho e elogiar alguma coisa.
Mas esse alarme demora para ser instalado na nossa mente e muitas vezes ele falha… sempre faça a manutenção do seu alarme

Quem está no padrão nao sabe o que é isso, não estou falando de nao ver defeitos em si mesma ou não se sentir insegura…todos nos sentimos assim pois existe toda uma indústria bilionária que se alimenta e lucra exatamente da existência dessas inseguranças, logo as reforça a todo minuto. Pessoas se gostarem NAO é lucrativo.

Entao para voce que hoje nao se sentiu representada, aqui estão imagens de mulheres lindas, gordas,negras,brancas,maravilhosas.

Cerque-se de representatividade.
Ela importa, MUITO.

Fica a dica de videos bons sobre isso:

Fotos inspiradoras:

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Sobre Machismo e Relações Não Monogâmicas

Acabei de ler o texto Precisamos falar sobre machismo nas relações e ambientes não monogâmicos, e pqp… que texto maravilhoso!

Esse texto me fez lembrar do meu primeiro namoro não monogâmico, aonde eu achava que ele era o foda do foda do foda da desconstrução.
Eu não tinha nem metade do conhecimento que tenho hoje sobre feminismo, e por ignorância acabei colocando ele em um altar do rei da desconstrução.
Foi a outra namorada voltar de viagem que o rei ficou sem calças e a cueca suja veio a tona.

Eu fui massacrada por privilégios e não fazia ideia de como lidar com aquilo. Fui responsabilizada por mentiras e omissões (não queria te magoar e você não iria lidar bem com a verdade).

Meses depois do término, nos encontramos para tentar ter uma conversa e reatar uma amizade. Ele foi muito, muito, mas muito frio comigo. Foi um dos piores encontros da minha vida, aonde estava tete a tete com um cara que namorei, que tinha muita intimidade, mas que naquele momento toda a história que vivemos tivesse sido deletada.
Eu, muito magoada ainda, perguntei para ele de forma bem direta: como faço para superar essa merda toda?
Ele, super frio, disse: aceita que eu preferi ela.

Eu voltei para casa aos prantos naquele dia. E agora, escrevendo isso, depois de 10 meses do término, a vontade de chorar ainda existe.

Mas sou resiliente, e como a Pablo Vittar canta:

E quanto mais dor recebo
Mais percebo que eu sou
Indestrutível

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Licença Poética Pornográfica

Precisamos falar de Pornô é o título  de um post maravilho de Gabriella Feola, no Papo de Homem.

Li o post e lembrei da minha história com a pornografia.

Eu, mulher-feminista-pansexual-não_monogâmica, consumo pornô desde os meus 19 anos. O meu olhar para com a industria pornográfica foi mudando nesses quase 17 anos.

A primeira vez que tive contato com o abuso de mulheres no pornô foi aos meus 20 anos, ao lado do meu namorado na época. A gente gostava muito de ver pornos juntos e alugávamos uns 2 ou 3 por fim de semana (era época de internet discada e de locadora VHS). Em um desses filmes alugados, teve uma cena de uma mulher que estava chorando enquanto o cara metia com força no cu dela. Só de lembrar agora da cena me dá nervoso. Aquilo foi muito impactante pra mim. Mas eu era muito jovem ainda e não tinha percepção crítica sobre isso. A minha única percepção naquela época era a empática: “não gosto de filme pornô com mulheres sofrendo.”. Era a única coisa que eu sabia.

Com o tempo o meu olhar e direcionamento para com a industria pornográfica foi mudando. Passei anos apenas assistindo e baixando Hentais. Passei a ter um pouco de repulsa por pornos “reais” (coloque bastante aspas nesse reais ae!).
Foi com Hentais que comecei a perceber como a industria de pornografia é muito, mas muito bizarra. Mas hoje sei que essa bizarrice é reflexo do machismo.
Para quem não sabe, Hentai são desenhos pornográficos.
Então, veja você, se a industria pornográfica “real” já é bizarra, em Hentai é o bizarro triplicado com licença poética por ser desenho.
Eu passava horas (horas mesmo) procurando um Hentai que me agradasse.
A industria de Hentai basicamente é pedofilia e incesto. Não. Tô. Zoando.

Hoje vejo bem menos pornô, e quando vejo, busco por cenas amadoras.
Não conhecia o Make Love Not Porn, mas já salvei aqui na barra de favoritos do Chrome. 😍

Esse tema tem que ser muito discutido ainda, mas estamos muito longe de encontrar algum equilíbrio.
Enquanto o machismo existir, o abuso sexual feminino será bukkakoso.

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A Poesia NÃO é Um Talento

Hoje cedo, enquanto me arrumava para o estágio, deixei rolando a entrevista com Luana Piovani no programa A Máquina com Fabrício Carpinejar.

Quase no final na entrevista, Luana pergunta ao Fabrício como surgiu a poesia na vida dele, como ele descobriu o talento. A resposta dele me fez parar o que eu estava fazendo. Sentei e não apenas concordei com que foi dito, mas senti cada sílaba de cada palavra perfurar meu peito, e chorei.

Até o momento, é a melhor descrição que já ouvi sobre ser poético.  É triste, mas totalmente verídico.

Deixo aqui por escrito a resposta dele, e o vídeo da entrevista, já iniciada no momento que Luana faz a pergunta.

Fabrício: A poesia não é um talento. É uma insuficiência. É uma falta. Pode ser um maldição.

Eu falo que assim que tu ter um relacionamento com a poesia pode ser um problema na hora que tu se separa, porque um vaso não é um vaso, uma vassoura não é uma vassoura.

Tem pessoas funcionais, tem pessoas que objetos são funções, não significados emocionais. Pra mim tudo é significado emocional. Então se tu se separa, por exemplo, tu tem muito mais saudade do que memória. Então o chinelo não é mais um chinelo. O chinelo é o encosto da porta pra não fechar com o vento. Arrumar a cama não é mais arrumar a cama. arrumar a cama é lembrar que os pés delas ficavam sufocados e que tu não pode prender o lençol no colchão. O banco da cozinha preto não é mais o banco da cozinha preto. É um mirante aonde ela ficava próxima da janela pra poder fumar.

Luana: Que coisa linda Fabrício.

Fabrício: É horrível também, porque é muito melhor tu ser funcional, porque funcional tu pode se despedir. Quem é funcional: alegria é rir, tristeza é chorar, sono é bocejar e se separar é não dar certo. E quem não é, quem é poético, rir pode acontecer dentro de um choro, o choro pode acontecer dentro da felicidade, e nunca vai se separar porque tu criou todo um idioma pra uma pessoa.

 

 

 

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E agora, quem poderá nos defender?

Chespirito03

 

 

Eu tentei escrever, mas não consegui. Não hoje, não agora.
Mas eu não poderia deixar de homenagear Roberto Gómez Bolaños. Eu nem conseguiria dormir se não o fizesse.
Então, deixo aqui um pequeno pedaço da maravilhosa letra e o vídeo do Javipior, com a homenagem que fizeram a ele a mais de 2 anos, mas que é, agora mais do que nunca, atemporal.

‪#‎EagoraQuemPoderáNosDefender‬

 

 

 

Se quer falar de mim pensa no Chaplin, com som, cor e um cenário ruim.
A gente joga a letra O e eu chamo o Chapolin.
Eu faço o melhor do início ao fim.
Porque isso aqui não é novela, isso aqui não é BBB,
é humor de qualidade todo dia pra você.
Não interessa a sua idade você vai entender
quando eu tiver um piripaqui você vai rir, você vai saber
que eu pertenço à um grupo de poucos,
uns me chamam de gênio, outros de louco.
Uma estrutura tão sólida que sobrevive até o tempo.
É muita barriga senhor talento.

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Massacre de Ponte Llaguno Brasileiro

A manipulação da mídia de uma imagem que diziam ser de um chavista começando a atirar era mentirosa, e foi reproduzida milhões de vezes na televisão, e essa foi a principal base para o golpe ao Chavez em 2002.

Com o documentário “Ponte Llaguno – As chaves de um massacre” mostra claramente que o começo é muito semelhante com o que anda acontecendo aqui no Brasil.

A mídia/governo vai manipular agressões e vai instigar a violência, como fez em Caracas.

Se a classe média que esta indo para a rua parar de ver televisão e ESTUDAR, vão perceber que o massacre de Ponte Llaguno esta para acontecer aqui no Brasil.

Parem de ver essa merda de televisão e acreditar nessas manipulações de massa ignorante e ESTUDEM! Parem de acreditar em um jornalismo manipulador. Parem de fingir desconforto com algo que vocês até ontem nem sabiam o que era. Parem de lutar evasivamente. Parem de brincar de War. Isso é vida real!

Quer de fato mudar esse sistema político corrupto? Ensinem o povão, aquele que vocês pararam no trânsito e que tentam chegar em casa, aquele que acredita na maquiagem carioca e votou no Eduardo Paes, ensinem essas pessoas a votarem.

Se isso não ocorrer, o massacre de Ponte Llaguno brasileiro vai ser transmitido ao vivo pela mídia.

Eu só espero que eu esteja errada.

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Fotografando o Capitalismo

A fotografia que simboliza o capitalismo.

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Foto: Sergio Moraes/Reuters

Analisando essa cadeia hereditária
Quero me livrar dessa situação precária
Onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre

E o motivo todo mundo já conhece,
E que o de cima sobe e o de baixo desce

Mas eu só quero
Educar meus filhos
Tornar um cidadão
Com muita dignidade
Eu quero viver bem
Quero me alimentar
Com a grana que eu ganho
Não dá nem pra melar

E o motivo todo mundo já conhece
É que o de cima sobe e o de baixo desce

Xibom Bombom
(As Meninas)

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Pelos Direitos dos Meninos

Texto de Sílvia Amélia de Araújo

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imagem: Filme Meninos de Kichute

 Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.

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Uma Versão Romântica De Um Autista

No último domingo, Fabrício Carpinejar  postou em seu facebook sua versão romântica de um autista. De nada é mentirosa. Até porque, o romantismo nunca mente!

64254_527813327238984_1958273044_nMeu amigo Renato Godá tem um filho autista.

É o Tom, 2 anos. Ele não é diferente de niguém. É como deveríamos ser: vulneráveis.

Tom não mente, não engana, não se protege como a gente.

Um menino inteligente ao extremo.

Sua inteligência é sensibilidade. Não descansa um minuto de sentir. De piscar comparações. De fazer operações matemáticas e musicais.

Uma pomba na janela é um terremoto. Um tombo na bicicleta é um colisão de estrelas. Mexer os cabelos é um aplauso.

Não há suavidade disponível para sua absorção. O conhecimento é feito por descobertas chocantes que exigem a mobilização do corpo inteiro.

É como se toda a lembrança fosse sublinhada. É como se toda a observação fosse inesquecível.

Tom me encara de lado, seu ouvido é que me olha.

Ele busca não interromper o ritmo das coisas. Os objetos têm sangue. Os objetos têm porta-retratos. Os objetos têm rosto.

Imagine se você realizasse tarefas escutando seu batimento cardíaco? Este é o autista. om o ouvido de dentro e o ouvido de fora, simultâneos. A porta da sala bate na sala e no coração. O vento assobia na janela e no coração.

Eu amo muito o Tom porque nunca vi um pai como Godá.

Godá é aparentemente desajeitado, boêmio, bagunçado.

Mas se dedica ao filho com uma delicadeza disciplinada que somente existe no interior dos animais selvagens.

Sua paciência é um presépio inesperado no deserto.

Ele explica três, quatro vezes, sem nunca alterar a doçura do timbre.

Sem jamais apresentar irritação pela repetição.

Ainda que esteja compondo ou ocupado com a vida adulta, para a respiração e se põe a conversar. Usa as mãos com gestos lentos de giz.

Toda resposta é nova mesmo que seja antiga.

A atenção pede a mirada firme e cúmplice, com duas colheres de açúcar.

Tom pega o arroz com os dedos. Godá se aproxima e mostra que o garfo é mais divertido do que a mão.

Tom volta a comer com a mão. Godá insiste que o garfo é uma extensão de boneco. Uma luva de robô.

Tom entende por cinco minutos, e Godá rearticula a fábula acrescentando um detalhe a mais de ternura.

Naquela casa, a noite é tarde demais, a biblioteca é longe demais. As histórias estão pousando a qualquer instante.

Tom beija a televisão. Godá diz que a televisão muito perto machuca os olhos. Tom beija de novo a televisão. Godá pede beijo no lugar da televisão.

O pai é um televisor que não prejudica a boca.

Tom ri alto. E beija o pai. Para depois voltar a beijar a televisão.

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Homenagem aos Psicólogos

Achei essa pérola de animação no blog do autor de Filho do Freud. Me emocionei por demais.

E essa vai em homenagem a todos os psicólogos, aos reorganizadores de nossa alma.

Com carinho para Sonia Haussmann Noya, que tanto me ajudou e que é um ícone até hoje para mim.

E para Camila, minha atual analista, que tem me ajudado a fazer uma reconstrução mental maravilhosa. Dolorosa, mas necessária.

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Recompensa do dia: Poesia

Eu hoje, no ônibus indo para a faculdade, lendo “A Metamorfose dos Gostos” de Pierre Bourdieu, minha leitura é parada no meio do caminho por dois jovens. Um com violão e outro com um saco de pão na mão e de saia. Os dois de havaianas no pé, começam a recitar poemas intercalados com música no violão.

Depois de um dia extremamente exaustivo, sou recompensada com poesia.

E deixo aqui, umas das poesias recitadas:

Casar ou não casar, esta é a questão,
é assim aqui ou no Cazaquistão,
que eu chamaria de Casarquistão,
ou, se você quiser, Quiserquistão.
O que está fora de questão, é amar-te,
mesmo que seja em Vênus ou em Marte,
mas, se eu pudesse escolher, acredite,
escolheria o reino de Afrodite,
não que lá em Marte fosse amar-te menos,
mas eu preferiria amar-te em Vênus.

– Geraldo Carneiro –

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Discovery Civilization – Grandes Livros – Alice no País das Maravilhas

Um dos programas da Discovery Civilization é uma série chamada “Grandes Livros”. É uma análise detalhada de livros famosos. Achei sem querer no YouTube o episódio de “Alice no País das Maravilhas”.
Conta de onde e porque Charles Lutwidge Dodgson escreveu o livro, como foi feita, as cartas, seu fascínio para com as crianças (somente meninas).
Para quem gosta do livro e quer tentar entender o que se passava na cabeça do autor, vale muito a pena.

Apesar de que eu já sabia 60% do que foi dito, eu gostei muito! Foi contado coisas ali que eu não fazia ideia. Por exemplo: que no livro “Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá”, Charles pintou seu auto retrato no Cavaleiro Branco. Me arrepiei quando foi mostrado isso.

Bom, a quem interessar, esta aqui completo.

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Ética por Mário Sérgio Cortella

A ética é o conjunto de valores e princípios que utilizamos para responder a três grandes questões da vida: Quero? Devo? Posso?

Tem coisas que eu quero, mas não devo. Tem coisas que eu devo, mas não posso. Tem coisas que eu posso, mas não quero.

Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é o que você pode e é o que você deve.

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Eu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tava

Em uma página de humor do Facebook, vi a frase “Eu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tava.”. Fiquei tão impressionada com a intensidade filosófica da frase, que fui buscar no Google de onde ela veio. Descobri que a frase faz parte de uma música/poema de Juraildes da Cruz, um cantor/compositor de Tocantins. Sem dúvida uma das músicas mais extraordinárias que já li.

Eu pensei correr de mim
Mas aonde eu ia eu tava

Quanto mais eu corria
Mais pra perto eu chegava

Quando o calcanhar chegava
O dedão do pé já tinha ido
Escondendo eu me achava
E me achava escondido
Só sei que quando penso que sei
Já não sei quem sou
Já enjoei de me achar no lugar
Que aonde eu vou eu tô

Eu pensei correr de mim…

Tô pensando tirar férias de mim
Mas eu também quero ir
Só vou se minha sombra não for
Se ela for eu fico aqui
Um dia desses sonhando
Eu pensei: não vou me acordar
Vou me deixar dormindo
E levanto pra comemorá

Eu pensei correr de mim…

O espelho me disse
Só tem um jeito pro assunto
Não adianta querer morrer
Porque se morrer vai junto
Se correr o bicho pega
Mas se limpar o bicho some
Tem que desembaraçar
O novelo da vida do homem

 

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Fábula do Lobo Traficante

Eu lembro, na minha 8ª série, ler um texto muito bom do livro de português “Reflexão e Ação em Língua Portuguesa” de Marilda Prates. Confesso que não refleti seriamente sobre o assunto na época. Eu só fui fazer uma reflexão anos depois, em um dia de arrumação geral de livros escolares. Estava definindo os livros que ficariam e os que mandaria para os sebos. Peguei esse livro e ao abrir aleatoriamente, caiu nessa fábula. Reli com outra maturidade e com outras emoções.
Aqui, de nada adianta eu colocar a minha reflexão sobre. Prefiro que faça você, sua própria reflexão.

A Fábula do Lobo Traficante

A sociedade dos cordeiros condenou aquele lobo a 20 anos de prisão. Era terrível o seu crime: tráfico de entorpecentes. Por sua causa, milhares de cordeirinhos destruíram suas vidas. O lobo era o inimigo público número 1.
Vinte anos depois, apesar desse e de outros lobos traficantes terem sido presos, a sociedade dos cordeiros estava mergulhada no vício. Era um problema de segurança nacional. Talvez por isso, um repórter resolveu entrevistar aquele lobo à saída da penitenciária. Estaria ele arrependido? Teria consciência do que provocara? Sentia-se injustiçado?
Afinal, a sociedade dos cordeiros cumpria, rigorosamente, a Lei. Só que alguma coisa estava errada. Lobos traficantes eram presos todos os dias, enquanto aumentava o consumo de tóxico. Qual a opinião de um lobo que pagou 20 anos por um dos piores crimes contra a humanidade?
– Você quer mesmo saber? – foi logo falando o lobo – O problema não se restringe a mim nem aos que me seguiram nessa profissão. Eu cometi parte do crime, reconheço, comercializando um produto proibido.
– E quem cometeu a outra parte? – indagou o repórter, ele próprio irritado com a desfaçatez do lobo.
– Ora, a sociedade dos cordeiros! – afirmou o lobo – Acaso fui eu que provoquei a corrida ao tóxico? Como seria possível eu me tornar um traficante se não houvesse procura do meu produto?
“Isso faz sentido”, pensou o repórter. E arriscou uma outra pergunta:
– Como a sociedade dos cordeiros poderia ter evitado tudo isso?
– Ora, pergunte a ela – respondeu o lobo – Mas dificilmente a sociedade dos cordeiros concordará que tem parte dessa culpa. Para isso, seria necessário que cada cordeiro, em particular, meditasse sobre sua própria vida e o que considera melhor para o seu rebanho. Mas você sabe que meditar, refletir, ponderar e se auto-analisar é muito difícil, quando há tantos lobos à disposição para assumir todas as culpas.
Quando a entrevista com o lobo traficante foi publicada, a sociedade dos cordeiros reagiu: os lobos são criminosos irrecuperáveis, cínicos, arrogantes e diversionistas. Para eles, só mesmo a Pena de Morte.

– Fernando Portela. Gazeta do Povo, Curitiba, 15/03/1984 –

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Você deve ter uma câmera fantástica


Um fotógrafo vai à uma festa para VIPs em Nova York. Assim que entra na festa a dona da casa diz:

– Eu amo suas fotos, são lindas. Você deve ter uma câmera fantástica.

E o fotógrafo não falou nada até o jantar terminar de ser servido. Então, o fotógrafo respondeu:

– Foi um jantar maravilhoso. Você deve ter um fogão fantástico!

(Sam Haskins)