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Um Rapaz Ótimo Por Natália Martins

 

Ele é um rapaz ótimo. Juro, vocês não vão nem acreditar. Faz publicidade, gosta de viajar, não tem vícios. Minha mãe o adora. É muito carinhoso, só um pouco ciumento. Me deu flores no nosso aniversário de namoro. Curtimos o show de Los Hermanos grudadinhos, aquela barba me fazendo cócegas na nuca. Ninguém é perfeito, né? Ele só não saiu daquele grupo de putaria do whatsapp por causa dos brothers. Coisa de homem. Mas é um cara ótimo. Seria incapaz de levantar a mão pra mim – totalmente diferente do meu ex escroto. Esse não, ele é ótimo. Aproveitamos uma promoção da CVC e vamos passar as férias em gramado. Tirando aquele episódio em que ele disse que minha melhor amiga é uma vagabunda, não teve mais erro algum. Mas é que eles ainda não se conhecem muito bem, ela é super implicante. Até porque ele é ótimo. Curte Game of Thrones, me chama pra assistir na casa dele. Claro que a gente transa, boba. E a foda é ótima, que nem o dito cujo. Quer dizer, ele não curte fazer oral em mim, mas eu respeito. Buceta tem um cheirinho estranho mesmo, imagina o gosto? Ele é óóóótimo! De esquerda. Super a favor dos direitos das mulheres, cotas, legalização da maconha. Seu discurso firme me passa segurança. A gente conversa direto sobre isso. Quer dizer, ele conversa, né? Sou meio por fora, se abro a boca acabo falando bobagem. Ele sempre ri do que eu digo e explica aquilo que não consigo entender sozinha. Todo dia nós nos falamos por mensagem. Ele se preocupa, pergunta como eu tô, conta do dia dele. Acho surreal. Já viu algum homem fazer isso? Eu também não. Às vezes dá uma sumida, vai pro bar com os amigos sem avisar. Eu tenho ansiedade e fico morrendo de preocupação, mas paciência. Ele não entende muito meu transtorno. Diz que é frescura, que sou imediatista e quero chamar atenção. Relaxa, já mandei uns artigos do Buzzfeed pra ele ler, acho que é questão de tempo pra melhorar. Já mencionei que ele é ótimo? Avisa se minha maquiagem está exagerada e tudo. Sai com amigos gays, sem preconceito nenhum. Cabeça abertíssima. E tem um fogo! Não aceita um não na cama. Fico sem jeito pra algumas coisas, mas fetiche é fetiche. E ele é tão ótimo que eu preciso recompensar todo o cuidado que recebo. Juntos fazemos planos pro futuro. Ele quer ter 2 filhos: primeiro o menino, que é pra cuidar da caçula. E disse que vai se esforçar ao máximo pra que eu possa ficar em casa com as crianças. Tem que ser, né? Imagine como seria pra mim administrar carreira, prole e ainda me fazer presente na cama? Ainda bem que ele pensa na mulher. Se eu quero? Ah, sei lá. Acho que o caminho é esse aí mesmo. Ele é ótimo. Não dirige bêbado. Sim, já ficou com outra, só uma vez. Tava muito louco em uma festa, acabei perdoando. Essas coisas acontecem, nada demais. Já superei coisa bem pior vinda de homem. Estamos até pensando em aderir o amor livre, ele disse que é mega saudável. Vamo que vamo. O que importa é que eu estou finalmente em um relacionamento saudável. Ele seria incapaz de levantar a mão pra mim. É mesmo um rapaz ótimo.

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POLIAMOR E FEMINISMO Por Sharlenn Carvalho

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O Poliamor deve ser entendido como um modelo de relacionamento que viabiliza a libertação sexual e afetiva da mulher, uma vez que abre espaço para que esta alcance as mesmas possibilidades que os homens usufruem – em privilégio – há milênios. Nesse sentido, é importante destacar que mesmo que o Poliamor afirme a não exclusividade afetiva e sexual a partir da igualdade e da consensualidade entre as partes, muitos homens ainda insistem em consolidar a exploração e a submissão das mulheres nesse modelo de relacionamento não monogâmico que historicamente autointitula-se responsável.

Assim, na prática, o que muito se vê são homens que procuram legitimar socialmente a “traição”, a falta de compromisso e de cuidado com suas parceiras subvertendo o poliamor em “liberdade para ELE fazer o que quiser, com quem quiser e da forma que desejar.” As mulheres, por sua vez, devido à cultura patriarcal e machista em que foram educadas e nas quais suas subjetividades foram moldadas, ainda encontram dificuldade em construir uma autonomia individual que lhes permita a necessária independência psicológica e afetiva da figura masculina. Portanto, elas continuam reprimidas em seus desejos e afetos, porém agora também se sentem coagidas a aceitar (sob pena de serem julgadas imaturas, “loucas ciumentas”, caretas) que seu parceiro saia e se relacione com quantas pessoas quiser, na hora e da forma que lhe for conveniente.

O diagnóstico dessas realidades torna ainda mais imprescindível a consolidação da luta pelo feminismo vinculada à vivência do Poliamor. Não é imaginável uma relação poliamorosa não opressiva sem que os homens reconheçam seu privilégio histórico, seu machismo cotidiano e se proponham à desconstrução de tais heranças de gênero. No ponto em que estamos, talvez a melhor proposta nem deva ser a de igualdade entre homens e mulheres, mas da ascensão da mulher, da edificação de sua autonomia, pois para uma igualdade de fato, o processo de construção das subjetividades e de alcance material também deve coincidir. Desse modo, enquanto não avançarmos socialmente para uma equidade de gêneros desde a infância, não faz sentido esperar que homens e mulheres sejam afetados da mesma forma pelas questões da não exclusividade, nem que reajam do mesmo modo a estas. É visível que, em sua grande maioria, o ciúmes do homem é vinculado ao sentimento de posse que este tem sobre a mulher, enquanto o ciúmes feminino é identificado como o medo de não ser boa o suficiente, ser comparada e assim perder lugar na vida do parceiro amoroso. Tal fato é demonstrado em estatísticas que afirmam que o ciúmes do homem é, sobretudo, sexual e o da mulher, afetivo. O homem se vê ofendido em seu orgulho quando outro homem toca o corpo de “SUA” mulher (nota-se que raramente isso acontece quando se trata de outra mulher), a mulher sente angústia, medo de ser trocada por outra e se ver novamente sozinha.

A questão da insegurança também segue por caminhos diferentes quando comparamos gêneros. A insegurança masculina por vezes representa o receio de se sentir humilhado por não ser “homem suficiente” , de perder a posse que conquistou. O homem precisa provar o tempo todo para si mesmo e para a sociedade que é dominador, conquistador, viril, por isso ser trocado por outro homem – e, agora sim, também por uma mulher – é um soco no ego, é humilhante. De forma inversa, a mulher aprende desde a tenra infância, influenciada pela idealização do amor romântico presente na sociedade e pelos interesses capitalistas que sua vida só será feliz e completa ao lado de um homem, de preferência, constituindo uma família. Nesse sentido, são inúmeras as mulheres que se sentem “vazias” e sozinhas quando não estão em um relacionamento sexual/afetivo estável, mesmo com uma carreira próspera, independência financeira, amigos, hobbies, etc. Assim, a insegurança feminina advém do receio de desamparo emocional.

Obviamente existem exceções, homens que se formaram mais sensíveis e “femininos” e compartilham dos mesmos temores que as mulheres e mulheres que internalizaram no decorrer da vida mais valores tidos como “masculinos”. Contudo, estamos tratando aqui da regra, da forma geral em que os gêneros se apresentam na nossa sociedade e, portanto, cabe a defesa de que devemos buscar ações práticas distintas quando estamos falando de relacionamentos héteros. Portanto ciúmes e insegurança precisam ser encarados de formas diferentes entre homens e mulheres.

Esse é um ponto polêmico, pois conceituamos o Poliamor como um modelo de relacionamento de não exclusividade afetiva/sexual que se fundamenta na consensualidade e na IGUALDADE. Mas será que podemos mesmo falar de igualdade em relacionamentos que se dão entre oprimidos e opressores? Se toda a construção de homens e mulheres se deu por caminhos distintos, é plausível simplesmente igualarmos as ações sem levar em conta as diferenças nas subjetividades? Negros e brancos, heteros e GLBTs, pessoas de classes econômicas diferentes, homens e mulheres possuem as mesmas possibilidades econômicas, sociais, relacionais? Tiveram a mesma base, as mesmas vivências, as mesmas possibilidades? Se a resposta for não, será que não hipócrita que os grupos que sempre detiveram os privilégios possam falar, quando lhes convém, de igualdade?

Voltando ao âmbito dos relacionamentos amorosos/sexuais, será benéfico que os acordos nos relacionamentos héteros valham de forma “igualitária” para todas as partes? Se um homem possessivo impõe uma regra restritiva à sua parceira, como por exemplo só se relacionar com outras meninas ou com quem ele escolher ou na presença dele, etc., ele está usando o acordo para a busca de autonomia de ambos ou apenas se valendo do seus privilégios de sempre? Por outro lado, se o homem é quem exige não ter acordo restritivo algum, pois não quer ter limitações em seus desejos, mas a parceira ainda sofre com os valores mononormativos de ciúmes e insegurança (leia-se aqui, medo da rejeição e abandono), é razoável exigir que essa mulher se vire sozinha para dar conta de sentimentos e valores que a sociedade levou uma vida inteira lhe incutindo? Não parece que de uma forma ou de outra, é sempre a vontade dos homens que prevalece?

Como já exposto em texto anterior (https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1349330785102142&id=1021219041246653), os acordos tomados no seio das relações poliamorosas deveriam contribuir para a mútua autonomia individual, ou seja, o ideal seria a construção conjunta da autonomia de cada um, mas como será possível que a mulher conquiste sua autonomia se tais acordos não levarem em conta os privilégios dos homens (e também dos brancos, dos héteros, dos cis, dos economicamente favorecidos)?

E é através dessa problematização que percebe-se a importância da defesa de que os acordos busquem dar conta das necessidades e limites prioritariamente das MULHERES com vistas a alcançar a autonomia feminina (ser capaz de gerir ao máximo todos os aspectos de sua vida) para que, POSTERIORMENTE, se possa falar efetivamente em igualdade. Nesse sentido, é pedido aos homens, a partir do reconhecimento de seus privilégios (inclusive o privilégio de ter sido criado para ser autônomo), a desconstrução contínua do machismo e o apoio para a consolidação da autonomia feminina.

Por fim, é imprescindível afirmar novamente que, se o Poliamor não estiver a serviço da libertação sexual e afetiva da mulher, ele perde todo o sentido de ser entendido como não monogamia responsável e talvez não se diferencie muito da monogamia que historicamente sempre serviu aos interesses do patriarcado e onde a não-exclusividade afetiva e sexual masculina é aceita e a da mulher, punida (não raro com morte).

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Lacrações No Facebook #5

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Todo dia um caso de abuso contra mulheres onde o abusador é fotógrafo.
Todo dia no feed tem:
– prints de propostas irrecusáveis de ensaio de nu “artístico” que as minas recebem no inbox, no whats, no app de paquera
– notícia de fotógrafo abusando sexualmente
– notícia de fotógrafo agredindo alguma mina
– foto-onanistas divulgando seus “lindos” trabalhos com nu

Se você, mina, tem vontade de ter um ensaio nu, procure outra mina. Evite ao máximo fechar esses trampos com homens. Se você recebeu uma dessas “propostas”, printe e exponha mesmo.
E vc, dizinfiliz-fio-do-cunha, que teve a fantástica ideia de ensaios nu (aka ver as mina pelada e tentar “algo mais”) e quer sair abordando as minas, esqueça.

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Lacrações No Facebook #4

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Algumas (só algumas) verdades sexuais que você não tem coragem de se dizer, porque internalizou que precisa mantê-lo satisfeito pra que ele não se afaste, mas eu tô aqui pra te lembrar:

– O sexo não acaba quando o cara goza;
– O sexo não gira em torno do pau dele;
– Você não precisa fazer o que não gosta pra agradá-lo;
– Você não necessariamente é uma mulher livre e bem resolvida só porque topa fazer de tudo;
– Você não é obrigada a abrir a relação;
– Será que você curte mesmo violência ou está condicionada?
– Filme pornô não é referência pra sua intimidade;
– Você não precisa transar no primeiro encontro porque isso é garantia de continuidade, sinal de maturidade ou qualquer outra coisa;
– Você não é obrigada a ser amigável quando for abordada de maneira que te incomoda, seja na internet ou na rua, seja por alguém que conhece ou por um completo desconhecido;
– Você não precisa transar só porque já está ali;
– Não precisa ter penetração, caso você não queira;
– Você não precisa ficar inerte, esperando ele desistir de fazer o que está fazendo só porque não está sendo tão bom;
– Se estiver se sentindo mal com alguma coisa, pode pegar suas coisas e ir embora, sim, ou pedir pra que ele vá;
– Demonstre o que te dá prazer ou diga com todas as letras, se achar melhor. É importante também pra que perceba se ele está se recusando a te dar prazer;
– Você não precisa ter um corpo dentro dos padrões para merecer viver sua sexualidade ou afetividade;
– Você não vai ficar condenada à solidão por dizer “não” a uma oportunidade de transar ou beijar;
– Você não precisa ficar sexualmente à disposição do seu ex, esperando que isso represente um retorno;
– Você não precisa transar só pra não se sentir sozinha, nem ir à caça na noite apenas por autoafirmação. Sua autoestima pode ser trabalhada em você mesma, sem passar pela aceitação masculina;
– Tem fetiche que coloca nossa vida em risco ou gera consequências com as quais teremos que lidar pra sempre. Não usar camisinha é um deles;
– Se você aceitar ser filmada ou fotografada, por maior que pense ser a relação de confiança, não existe a menor garantia de que amanhã não seja exposta na internet. Há mulheres que já se suicidaram por terem a vida arruinada pela pornografia de vingança;
– Sexo é diálogo, é construção, muitas de nós precisam que passe pela confiança, ninguém tem que estar sempre pronto ou ser performático, devemos reaprender a respeitar nosso tempo e nosso ritmo, tratando com honestidade o que nos faz bem;
– Ele tem o dever de aceitar o seu “não”, não importa o contexto.

Tudo isso é sobre consentimento. Poucas vezes na vida nos orientaram com todas as letras a prestar atenção no que desejamos ou permitimos de fato. A violação do consentimento é o DNA da cultura do estupro.

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Lacrações No Facebook #2

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Ninguém “é” monogâmico, viu amores?

A monogamia não é inerente ao ser, não é dado biológico, ninguém nasce assim. As pessoas são ensinadas desde cedo que é assim que se vive o amor, o Estado só reconhece esse tipo de relação, então “ser” uma pessoa monogâmica é a famigerada construção social.

“Giu, isso significa que qualquer pessoa pode ser não-monogâmica?”

Depende.

Minha avó, de criação católica, mineira, casada há 84 anos? Não! Não existem condições para ela vislumbrar essa possibilidade.

Você, que nasceu com celular na mão num mundo em que mulher já pode se divorciar, num mundo em que o número de divórcios vem aumentando e a duração média de casamentos diminuindo.

Você, que recebe uma enxurrada de textão na cara todo dia, que sabe que a monogamia nasceu junto com a propriedade privada e a sociedade de classes, que manja que em sociedades comunitárias as crias eram da sociedade toda porque não havia núcleo familiar monogâmico.

Você, que acompanha diariamente “crimes passionais” acontecendo, e tem noção de que a monogamia mata mulheres a rodo.

Você não tem empecilho nenhum a não ser sua busca por autoestima, validação e segurança no mito do amor romântico.

E isso, amores, dá pra mudar sim.

Beijo, de nada

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Lacrações No Facebook #1

 

“todo homem já é não-monogâmico”

monte de galera sem noção compartilhando essa frase solta…
gente, sério, ces falam muita merda, E de forma super irresponsável, ainda por cima.

mesmo que seja só dos homens cis que vocês estejam falando:
homens cis são, via de regra,
Violentamente monogâmicos.
em tudo que envolve
a sexualidade de suas companheiras (to falando especialmente dos héteros – mas não se aplica só a eles).

Homens cis são campeões na estatística
de agredir física e verbalmente
suas companheiras
por ciúmes –
ciúmes oriundo de uma lógica de exclusividade
sexual amorosa
que impõem sobre o corpo das mulheres.

O que vocês tão – desonesta e escrotamente – chamando de “não.monogamia”
tem outro nome:
pulada de cerca,
QUEBRA de acordo.

Isso é bem diferente de não-monogamia,
que pressupõe CRIAR acordos
recíprocos e consentidos
entre quem se envolve.

Nas relações sexuais e amorosas
homens cis são campeões
de criar acordos que eles não cumprem – e isso não é arbitrário,
tem a ver com o poder que eles se acham no direito de exercer
sobre o corpo, sobre a sexualidade, e sobre a afetividade
das mulheres.
Criar acordos de exclusividade
que só serve à propriedade DELES sobre o corpo DELAS,
construindo ainda dinâmicas que fragilizam
e destróem a auto-estima:

isso NÃO É (por definição)
qualquer tipo de não-monogamia.
É exercício de poder que funciona
a serviço da própria monogamia.

PAREM DE BANALIZAR a idéia de não-monogamia,
é um desrespeito ESCROTO com quem de fato constrói relações nesses termos.
Não-monogamia pauta a possibilidade
de múltiplos relacionamentos
de forma ABERTA,
RECÍPROCA
e CONSENTIDA – qualquer coisa diferente disso
não é “não-monogamia”,
e sim ABUSO.

E olha que coisa: geralmente isso acontece dentro da monogamia.
Porque a monogamia é a norma pressuposta pela nossa sociedade.
É aquilo que nossa sociedade considera “natural”, que nem precisa ser conversado se é o acordo desejado por ambas as partes.

Então, justamente por ser naturalizada, é a dinâmica de relacionamento onde MENOS se combinam os acordos (já que estão todos pressupostos, por padrão).

relacionamentos não-monogamicos, diferentemente,
quase sempre JÁ IMPLICA a necessidade de conversar e construir acordos. – então a história é outra.

Só sério:
PAREM de confundir as coisas.
Não.monogamia não é “pulada de cerca”.
E se tem uma coisa que homens cis héteros mais têm sido
é possessivos, ciumentos, violentos
focados em manter mulheres
sob âmbitos extremamente pesados de exclusividade afetiva,
enquanto eles
quebram acordos quando querem
porque têm poder pra isso.

Dêem os nomes próprios a esse tipo de abuso,
e parem de viajar.

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Representatividade Importa

Texto de Julia Maciel

Quando o seu corpo, seu cabelo, sua pele sao mostradas na midia/propaganda você se sente cada vez menos mal por estar fora do padrão, pois quanto mais representatividade houver menos o “padrão” é enaltecido.
Percebi isso quando conheci o tumblr no final da adolescência…quanto mais imagens de mulheres gordas eu via, menos eu me sentia mal com minhas pernas, meu braço,minha barriga enquanto quanto mais eu via no Instagram os corpos “perfeitos” das blogueiras e das amigas, mais a celulite incomodava, menos eu queria me olhar no espelho,mais ódio eu nutria pela minha casinha que é meu corpo.

E até hoje percebo isso, se estou vendo feed do Instagram e não tem muita foto de mulheres tipo eu, mais eu me sinto mal, mais culpada me sinto por simplesmente existir gorda.
Quando se escuta desde pequena que a sua imagem é feia ou errada e você tem que mudá-la voce incorpora isso como verdade e nao consegue ver beleza em você, só defeitos.
Mas hoje em dia eu tenho um alarme interno, e quando isso ocorre eu vou ver fotos minhas que gosto, ou vejo tumblrs de looks plus size, ou simplesmente faço o exercício de me olhar no espelho e elogiar alguma coisa.
Mas esse alarme demora para ser instalado na nossa mente e muitas vezes ele falha… sempre faça a manutenção do seu alarme

Quem está no padrão nao sabe o que é isso, não estou falando de nao ver defeitos em si mesma ou não se sentir insegura…todos nos sentimos assim pois existe toda uma indústria bilionária que se alimenta e lucra exatamente da existência dessas inseguranças, logo as reforça a todo minuto. Pessoas se gostarem NAO é lucrativo.

Entao para voce que hoje nao se sentiu representada, aqui estão imagens de mulheres lindas, gordas,negras,brancas,maravilhosas.

Cerque-se de representatividade.
Ela importa, MUITO.

Fica a dica de videos bons sobre isso:

Fotos inspiradoras:

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Sobre Machismo e Relações Não Monogâmicas

Acabei de ler o texto Precisamos falar sobre machismo nas relações e ambientes não monogâmicos, e pqp… que texto maravilhoso!

Esse texto me fez lembrar do meu primeiro namoro não monogâmico, aonde eu achava que ele era o foda do foda do foda da desconstrução.
Eu não tinha nem metade do conhecimento que tenho hoje sobre feminismo, e por ignorância acabei colocando ele em um altar do rei da desconstrução.
Foi a outra namorada voltar de viagem que o rei ficou sem calças e a cueca suja veio a tona.

Eu fui massacrada por privilégios e não fazia ideia de como lidar com aquilo. Fui responsabilizada por mentiras e omissões (não queria te magoar e você não iria lidar bem com a verdade).

Meses depois do término, nos encontramos para tentar ter uma conversa e reatar uma amizade. Ele foi muito, muito, mas muito frio comigo. Foi um dos piores encontros da minha vida, aonde estava tete a tete com um cara que namorei, que tinha muita intimidade, mas que naquele momento toda a história que vivemos tivesse sido deletada.
Eu, muito magoada ainda, perguntei para ele de forma bem direta: como faço para superar essa merda toda?
Ele, super frio, disse: aceita que eu preferi ela.

Eu voltei para casa aos prantos naquele dia. E agora, escrevendo isso, depois de 10 meses do término, a vontade de chorar ainda existe.

Mas sou resiliente, e como a Pablo Vittar canta:

E quanto mais dor recebo
Mais percebo que eu sou
Indestrutível

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Licença Poética Pornográfica

Precisamos falar de Pornô é o título  de um post maravilho de Gabriella Feola, no Papo de Homem.

Li o post e lembrei da minha história com a pornografia.

Eu, mulher-feminista-pansexual-não_monogâmica, consumo pornô desde os meus 19 anos. O meu olhar para com a industria pornográfica foi mudando nesses quase 17 anos.

A primeira vez que tive contato com o abuso de mulheres no pornô foi aos meus 20 anos, ao lado do meu namorado na época. A gente gostava muito de ver pornos juntos e alugávamos uns 2 ou 3 por fim de semana (era época de internet discada e de locadora VHS). Em um desses filmes alugados, teve uma cena de uma mulher que estava chorando enquanto o cara metia com força no cu dela. Só de lembrar agora da cena me dá nervoso. Aquilo foi muito impactante pra mim. Mas eu era muito jovem ainda e não tinha percepção crítica sobre isso. A minha única percepção naquela época era a empática: “não gosto de filme pornô com mulheres sofrendo.”. Era a única coisa que eu sabia.

Com o tempo o meu olhar e direcionamento para com a industria pornográfica foi mudando. Passei anos apenas assistindo e baixando Hentais. Passei a ter um pouco de repulsa por pornos “reais” (coloque bastante aspas nesse reais ae!).
Foi com Hentais que comecei a perceber como a industria de pornografia é muito, mas muito bizarra. Mas hoje sei que essa bizarrice é reflexo do machismo.
Para quem não sabe, Hentai são desenhos pornográficos.
Então, veja você, se a industria pornográfica “real” já é bizarra, em Hentai é o bizarro triplicado com licença poética por ser desenho.
Eu passava horas (horas mesmo) procurando um Hentai que me agradasse.
A industria de Hentai basicamente é pedofilia e incesto. Não. Tô. Zoando.

Hoje vejo bem menos pornô, e quando vejo, busco por cenas amadoras.
Não conhecia o Make Love Not Porn, mas já salvei aqui na barra de favoritos do Chrome. 😍

Esse tema tem que ser muito discutido ainda, mas estamos muito longe de encontrar algum equilíbrio.
Enquanto o machismo existir, o abuso sexual feminino será bukkakoso.

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Pelos Direitos dos Meninos

Texto de Sílvia Amélia de Araújo

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imagem: Filme Meninos de Kichute

 Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.

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Uma Versão Romântica De Um Autista

No último domingo, Fabrício Carpinejar  postou em seu facebook sua versão romântica de um autista. De nada é mentirosa. Até porque, o romantismo nunca mente!

64254_527813327238984_1958273044_nMeu amigo Renato Godá tem um filho autista.

É o Tom, 2 anos. Ele não é diferente de niguém. É como deveríamos ser: vulneráveis.

Tom não mente, não engana, não se protege como a gente.

Um menino inteligente ao extremo.

Sua inteligência é sensibilidade. Não descansa um minuto de sentir. De piscar comparações. De fazer operações matemáticas e musicais.

Uma pomba na janela é um terremoto. Um tombo na bicicleta é um colisão de estrelas. Mexer os cabelos é um aplauso.

Não há suavidade disponível para sua absorção. O conhecimento é feito por descobertas chocantes que exigem a mobilização do corpo inteiro.

É como se toda a lembrança fosse sublinhada. É como se toda a observação fosse inesquecível.

Tom me encara de lado, seu ouvido é que me olha.

Ele busca não interromper o ritmo das coisas. Os objetos têm sangue. Os objetos têm porta-retratos. Os objetos têm rosto.

Imagine se você realizasse tarefas escutando seu batimento cardíaco? Este é o autista. om o ouvido de dentro e o ouvido de fora, simultâneos. A porta da sala bate na sala e no coração. O vento assobia na janela e no coração.

Eu amo muito o Tom porque nunca vi um pai como Godá.

Godá é aparentemente desajeitado, boêmio, bagunçado.

Mas se dedica ao filho com uma delicadeza disciplinada que somente existe no interior dos animais selvagens.

Sua paciência é um presépio inesperado no deserto.

Ele explica três, quatro vezes, sem nunca alterar a doçura do timbre.

Sem jamais apresentar irritação pela repetição.

Ainda que esteja compondo ou ocupado com a vida adulta, para a respiração e se põe a conversar. Usa as mãos com gestos lentos de giz.

Toda resposta é nova mesmo que seja antiga.

A atenção pede a mirada firme e cúmplice, com duas colheres de açúcar.

Tom pega o arroz com os dedos. Godá se aproxima e mostra que o garfo é mais divertido do que a mão.

Tom volta a comer com a mão. Godá insiste que o garfo é uma extensão de boneco. Uma luva de robô.

Tom entende por cinco minutos, e Godá rearticula a fábula acrescentando um detalhe a mais de ternura.

Naquela casa, a noite é tarde demais, a biblioteca é longe demais. As histórias estão pousando a qualquer instante.

Tom beija a televisão. Godá diz que a televisão muito perto machuca os olhos. Tom beija de novo a televisão. Godá pede beijo no lugar da televisão.

O pai é um televisor que não prejudica a boca.

Tom ri alto. E beija o pai. Para depois voltar a beijar a televisão.

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Ética por Mário Sérgio Cortella

A ética é o conjunto de valores e princípios que utilizamos para responder a três grandes questões da vida: Quero? Devo? Posso?

Tem coisas que eu quero, mas não devo. Tem coisas que eu devo, mas não posso. Tem coisas que eu posso, mas não quero.

Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é o que você pode e é o que você deve.

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Eu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tava

Em uma página de humor do Facebook, vi a frase “Eu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tava.”. Fiquei tão impressionada com a intensidade filosófica da frase, que fui buscar no Google de onde ela veio. Descobri que a frase faz parte de uma música/poema de Juraildes da Cruz, um cantor/compositor de Tocantins. Sem dúvida uma das músicas mais extraordinárias que já li.

Eu pensei correr de mim
Mas aonde eu ia eu tava

Quanto mais eu corria
Mais pra perto eu chegava

Quando o calcanhar chegava
O dedão do pé já tinha ido
Escondendo eu me achava
E me achava escondido
Só sei que quando penso que sei
Já não sei quem sou
Já enjoei de me achar no lugar
Que aonde eu vou eu tô

Eu pensei correr de mim…

Tô pensando tirar férias de mim
Mas eu também quero ir
Só vou se minha sombra não for
Se ela for eu fico aqui
Um dia desses sonhando
Eu pensei: não vou me acordar
Vou me deixar dormindo
E levanto pra comemorá

Eu pensei correr de mim…

O espelho me disse
Só tem um jeito pro assunto
Não adianta querer morrer
Porque se morrer vai junto
Se correr o bicho pega
Mas se limpar o bicho some
Tem que desembaraçar
O novelo da vida do homem

 

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Você deve ter uma câmera fantástica


Um fotógrafo vai à uma festa para VIPs em Nova York. Assim que entra na festa a dona da casa diz:

– Eu amo suas fotos, são lindas. Você deve ter uma câmera fantástica.

E o fotógrafo não falou nada até o jantar terminar de ser servido. Então, o fotógrafo respondeu:

– Foi um jantar maravilhoso. Você deve ter um fogão fantástico!

(Sam Haskins)

 

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Coração de Canalha

Coração de canalha
Nada tem de gelo ou fogo
Não é de tijolo, madeira ou palha
É sim um belo tesouro em segredo
Por mais que visto de fora nada valha
Lá dentro do peito de um cafajeste
há uma criança viva e cheia de luz
Que por cuidado, com ferro ele veste
Tem medo que essa caia em desgraça
Seja corrompida pelo amor, essa peste.

(Kleber Bordinhão)

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Fica a Dica – 37

Estou escrevendo um livro, mas ando com dificuldade de continuar.
Assistindo uma entrevista do Jô Soares ao Roda Viva, ele conta uma dica que Rubem Fonseca deu a ele sobre isso:

“Aprendi com o Rubem Fonseca que todo dia você tem que abrir seu texto, nem que seja para colocar uma vírgula. Mas tem que ser todo dia, não interessa a que horas ou por quanto tempo.”

E fui pensar nisso, e de fato faz muito sentido.
Quando estamos escrevendo um livro, entramos naquela história. Se passamos nem que seja um dia sem ter contato com aquele mundo inventado, a sensação quando tentamos retornar é de que o portal se fechou. Para abri-lo novamente temos que voltar no tempo, relendo e entrando novamente naquele planeta imaginário.

Abrir o livro todo dia faz com que o portal não se feche.

#ficaadica

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Me enganar é tão fácil quanto tirar doce de criança

Acabei de ler uma frase de que teoricamente é da Tati Bernardi. Falo teoricamente porque não achei no Blog dela e o que mais existe na internet são frases falsamentes ‘autoradas’.

Colabora, pô. Tá tão fácil me ganhar.

E ao ler isso, a criatividade dominou meu pensamento.

Sempre foi muito fácil me enganar. Não porque não vejo maldades ou porque não desconfio. Eu desconfio! Cada dia e a cada experiência negativa, a desconfiança que era um filhotinho foto e agradável, esta se transformando em um cão grande e bravo.
Quando se envolve mentiras, aí sim, a responsabilidade passa a ser do mentiroso, e não minha. Isso eu nunca questionei. Eu não posso me culpar por acreditar nas suas mentiras. Errado é você que mente, não eu que acreditei.
Eu sou fácil de enganar pelo simples fato que sempre gero uma credibilidade no outro. Sempre acredito que a pessoa pode vir a mudar e melhorar. É ruim isso? Sinceramente? Em partes é. Quando gero essa credibilidade no outro, eu crio expectativas que são exclusivamente minhas. O outro não pode ser culpado por isso. Mas por mentir sim. Responsabilidade do outro e não minha.

Adjetivo muito usado por outros para me descrever: ingênua.

Eu leio ou escuto essa palavra e automaticamente me vem criança na cabeça. E é ai que mais me encaixo. Sabe a ingenuidade infantil? É nessa que mais me identifico. Me enganar é tão fácil quanto tirar doce de criança.

Mas eu não sou mais criança, e por mais que eu tenha a síndrome do Peter Pan, sinto que essa minha ingenuidade infantil aos poucos anda desaparecendo, se transformando no tal cão grande e bravo. Mas mesmo assim, eu ainda acredito que esse cão enorme e com cara de bravo, pode vir a ser sensível e dócil por dentro. Expectativas…

Luto todos os dias para a minha criança interior sempre consiga ver o cão sensível.

E sim, ainda o vejo… Por enquanto…