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Plot Twist da Saudade

 

A cama estava quente. Seu corpo nu era abraçado pela brisa do ventilador na velocidade máxima.
Calor.
Mentalmente imersa em um filme, ela sente a vibração do celular. Estica a cabeça para olhar a notificação que dizia “Cheguei.”.

Seu corpo parou de responder por alguns milésimos de segundo. Um plot twist emocional.
Ele não está mais aqui.

Demorou para pegar no celular e responder. Tocar no celular era tornar aquilo real. Ainda era só um sentimento.
O tempo que ela levou para pegar no celular foi equivalente ao tempo que o flashback dos dois passou por todo o seu corpo.

Lembrou da primeira vez que se viram e da espera um pouco angustiante na praia. Ficou mexendo no celular para fingir que estava de boa ali, mas na verdade ela estava insegura. Quando levantou o rosto ele já estava perto. Quando viu ele sorrindo seu corpo deu uma leve relaxada.

Lembrou de olhar para o braço dele cheio de tatuagem e sentir sua buceta dar uma leve contraída. Ela não queria mais estar ali na praia. Ela queria lamber ele todo.

Lembrou da cabeça dele entre suas pernas, chupando sua buceta como se fosse um sorvete no verão e 40º.

Lembrou dela de costas rebolando no pau dele e quase gozando.

Lembrou de como foi gostoso gozar na boca dele.

Lembrou do seu peito.
O peito.

Lembrou da sensação de deitar naquele peito.
Dois corpos nus na cama, uma cabeça no peito, um braço para o abraço, outro braço para o carinho e está feita a posição que chamaremos aqui de “posição da bolha da proteção”, aonde dentro dela nada de ruim poderia acontecer.
Pelo menos era como ela se sentia.

Lembrou do sorriso direcionado a ela. Era um tipo de sorriso que te faz repensar a tristeza.

Lembrou do olhar doce.
Era um pedaço de doce de leite em formato de olhar.

 
O celular vibra de novo e automaticamente o flashback acaba.

O pulmão voltar a ter ar, o sangue volta a circular e o coração volta a bater normalmente.
Ela pega o celular sem medo porque sabe que ali acabou de nascer…
– A saudade?
– Também. Mas ali foi germinado o amor.
– Mas eles ficaram juntos para sempre?
– Não.
– Que triste.
– Porque?
– Por que eles não estão juntos.
– Acho que você não entendeu a história. Vou começar de novo.

A cama estava quente…