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Auto Delinquência

tumblr_static_presaNa incerteza de um afeto, me submeti ao avesso do que nem de longe é o que almejo.
Falsidade ideológica de um sentimento deveria ser crime hediondo, mas nesse caso, a presidiária seria eu e não ele.

Meu desgosto me enoja, mas não consigo colocar para fora. Com o passar do tempo, vou me acostumando com o enjoo incessante e finjo que acredito que já passou.
Mas não passou.

Na minha auto delinquência, eu mesma me julguei e me dei liberdade condicional.
Me julguei mal.

Cometi o mesmo crime, mas dessa vez não me dei habeas corpus.
Sem qualquer possibilidade de fiança, me obriguei a lidar com minha própria delinquência.

Agora, só saio daqui liberta de mim mesma!

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O começo do arco-íres

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No meio da tempestade de medos, me joguei no escuro de uma certeza duvidosa.
Era aquele Sol que nascia em seus olhos que me aquecia.
Me despi das dúvidas e meu corpo só mostrou certezas.
Me larguei no seu corpo até restar apenas o vapor.
E o fim era só o começo do arco-íres.

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Não me vejo

Um passo em sua direção
Um passo longe de mim mesma
E me perco
E fico tão longe
Tão longe
Que não me vejo mais
Se choro
Não é por você
É por não mais conseguir
Me ver
Mas se eu voltar
Para mim
Me perco
De você

Será que você
Não me vê
Porque eu
Não me vejo?

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Coração de Canalha

Coração de canalha
Nada tem de gelo ou fogo
Não é de tijolo, madeira ou palha
É sim um belo tesouro em segredo
Por mais que visto de fora nada valha
Lá dentro do peito de um cafajeste
há uma criança viva e cheia de luz
Que por cuidado, com ferro ele veste
Tem medo que essa caia em desgraça
Seja corrompida pelo amor, essa peste.

(Kleber Bordinhão)

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Mas não…

Eu queria dizer que aprendi coisas boas com você.
Mas não aprendi.
Eu queria dizer que tenho boas lembranças de você.
Mas não tenho.
Eu queria te chamar de herói.
Mas não chamo.
Eu queria me sentir bem ao seu lado.
Mas não sinto.
Eu queria me orgulhar de você.
Mas não me orgulho.
Eu queria conversar com você.
Mas não converso.
Eu queria querer te abraçar.
Mas não quero.
Eu queria não sentir mágoa.
Mas sinto.
Eu queria não chorar por nós.
Mas choro. 

Eu queria te amar.
Mas não amo. 

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Chuva nos pés

 

Em uma tentativa frustrada de me acalmar
a chuva molhou meus pés
Eu
que já não me continha de tanta ansiedade
deixei a chuva me molhar

Mas de nada adiantou
já que a chuva que batia nos pés
não acalmava o meu coração

Ao ver meu amado molhado
de braços abertos para um abraço
quase não contive a lágrima que insistia em sair

Ali
eu estava prestes a dizer o quanto eu o amava
A chuva
agora molhava
não só os meus
 mas os pés dele também

Na escada
aonde a chuva não nos alcançava
disse a ele o quanto eu o amava

Discorri
mesmo tremendo
tudo que eu não poderia mais guardar

A chuva aumentava
Barulhos
Luzes do céu
A mágica da natureza era apenas o reflexo do estava dentro de mim

Seus olhos estavam atentos a todos os meus movimentos
Sua expressão de admiração pela minha coragem
que ele julga não ter

Ele também sofre
porque o não que seria perfeito se fosse sim
 é não!
E esse não
tão doloroso de ser dito
de ser ouvido
foi dito

O amado
que é lindo
não se torna mais belo pelo não

O amado
que é lindo
é simplesmente lindo

Na despedida
a chuva ainda molhava nossos pés

E a nossa proteção não era o guarda-chuva
Mas a amizade que nos protege até do amor não correspondido